SOY LOCO POR TI
Política, Mídias, Economia, Arte, Futebol e Humor na América Latina

13/09/2004

HorizonteO outro Brasil que vem aí
Gilberto Freyre

Eu ouço as vozes
eu vejo as cores
eu sinto os passos
de outro Brasil que vem aí
mais tropical
mais fraternal
mais brasileiro.
O mapa desse Brasil em vez das cores dos Estados
terá as cores das produções e dos trabalhos.
Os homens desse Brasil em vez das cores das três raças
terão as cores das profissões e regiões.
As mulheres do Brasil em vez das cores boreais
terão as cores variamente tropicais.
Todo brasileiro poderá dizer: é assim que eu quero o Brasil,
todo brasileiro e não apenas o bacharel ou o doutor
o preto, o pardo, o roxo e não apenas o branco e o semibranco.
Qualquer brasileiro poderá governar esse Brasil
lenhador
lavrador
pescador
vaqueiro
marinheiro
funileiro
carpinteiro
contanto que seja digno do governo do Brasil
que tenha olhos para ver pelo Brasil,
ouvidos para ouvir pelo Brasil
coragem de morrer pelo Brasil
ânimo de viver pelo Brasil
mãos para agir pelo Brasil
mãos de escultor que saibam lidar com o barro forte e novo dos Brasis
mãos de engenheiro que lidem com ingresias e tratores europeus e norte-americanos a serviço do Brasil
mãos sem anéis (que os anéis não deixam o homem criar nem trabalhar).
mãos livres
mãos criadoras
mãos fraternais de todas as cores
mãos desiguais que trabalham por um Brasil sem Azeredos,
sem Irineus
sem Maurícios de Lacerda.
Sem mãos de jogadores
nem de especuladores nem de mistificadores.
Mãos todas de trabalhadores,
pretas, brancas, pardas, roxas, morenas,
de artistas
de escritores
de operários
de lavradores
de pastores
de mães criando filhos
de pais ensinando meninos
de padres benzendo afilhados
de mestres guiando aprendizes
de irmãos ajudando irmãos mais moços
de lavadeiras lavando
de pedreiros edificando
de doutores curando
de cozinheiras cozinhando
de vaqueiros tirando leite de vacas chamadas comadres dos homens.
Mãos brasileiras
brancas, morenas, pretas, pardas, roxas
tropicais
sindicais
fraternais.
Eu ouço as vozes
eu vejo as cores
eu sinto os passos
desse Brasil que vem aí.


Poema escrito em 1926 e publicado no livro "Poesia Reunida", Editora Pirata - Recife, 1980. Depois de um post mau humorado, um outro esperançoso com a semana que apenas começa.:)



 Escrito por Luiz às 11h54 [] [envie esta mensagem]



Brodagem socialmente consciente
(post mau-humorado)
"Velho?À noite, todos os gatos são pardos, mas nem todos são alienados,fazendo a cabeça sem perder a consciência, a brodagem recifense se encontra aqui no orkut pra celebrar a vida,e ajudar mais um pouco a mudar a vida de quem não tem muito o que celebrar.esta comunidade pretende divulgar a festa, mas pretende mais,pretende chamar você pra responsa.cidadão ajuda cidadão.vamos fazer dessa festa um exemplo de brogadem solidária,de balada fraterna e socialmente consciente."

Esse é o convite de uma festa no Usina que aconteceu no final de semana passado e que foi veiculado no Orkut. A mensagem tenta dizer que é um evento que tem como finalidade ajudar pessoas necessitadas. Eu devo mesmo estar ficando velho.



 Escrito por Luiz às 00h18 [] [envie esta mensagem]


11/09/2004

Efemérides e efemérides

Chile, 11 de setembro de 2004 - Hoje completam-se 31 anos (minha idade) do início da era mais negra vivida pela amiga população chilena, quando o então presidente Salvador Allende meteu uma bala na cabeça e o sanguinário general Pinochet assumiu a truculência de uma ditadura que deixou mortos 5000 pessoas no país. Allende se suicidou no belo palácio de la Moleda. Pinochet está com 88 anos e depois que seu reinado caiu, em 1990, tenta se livrar da Justiça tanto na Espanha quanto em seu próprio país suplicando clemência humanitária. O general é acusado da responsabilidade pelas mortes e também por integrar a Operação Condor, que articulou na década de 70 as ditaduras sulamericanas no combate à oposição. Como noticia hoje o El Mercurio, manifestações em homenagem a Allende acabaram em confusão e prisões. Isso nem é importante. O que é legal de observar é que a memória de Allende e de sua tentativa por um projeto democrático continua na cabeça dos chilenos.

Arcoverde, 11 de setembro de 2004 - Não podia deixar passar em branco a data de aniversário da emancipação de minha cidade, localizada a 350 quilômetros do Recife e encravada no solo arenoso do sertão. Na verdade, a cidade é a primeira da região sertaneja em Pernambuco. Bandas de fanfarra, bebidas, desfiles, cachorro quente, parque de diversões, calor, sede, poeira, mulheres suadas, roupas de domingo, frio no final da tarde e mercado fechado durante todo o dia. Foi assim na minha infância e deve ter sido assim hoje lá.

New York, 11 de setembro de 2004 - Os dois candidatos à eleição americana usam a data para contabilizar votos, num clima de homenagens nas cidades que em tudo lembra um filme. E, a não ser pela constatação óbvia de que a Al Qaeda vence a guerra, não há nada de muito novo no front.



 Escrito por Luiz às 21h44 [] [envie esta mensagem]



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Manoel Bonfim
No entanto, se a Europa ignora o que é este pedaço do Ocidente, nem por isso esquece que ele existe; e, nos últimos tempos, lhe tem dedicado, mesmo, uma atenção especial. Não que lhe dê o espaço e a importância consagrada aos Balcãs, Macedônia, Ásia Menor, África ou Extremo Oriente, porque, em suma, ali, ela se ocupa  que já lhe perttence. Todavia, as nações latinas do Novo Mundo não se podem queixar de deslembradas. Cada incidente, ainda sem grande relevo, encontra repercussão na imprensa européia. Não aparecem, é verdade, nenhuns desses longos estudos, circunstanciados e sábios, onde os mestres em assuntos internacionais dizem o que sabem sobre a história política, social e econômica do país de que se ocupam, para daí deduzirem os seus juízos. Não; como de costume, sempre se trata das repúblicas latino-americanas, os doutores e publicistas da política mundial se limitam a lavrar sentenças - invariáveis e condenatórias. A ouvi-los, não há salvação para tais nacionalidades. É, esta, uma opinião profundamente, absolutamente arraigada no ânimo dos governos, sociólogos e economistas europeus. Como variantes a essas sentenças, eles se limitam a ditar, de tempos em tempos, uns tantos conselhos axiomáticos; mas os ditam da ponta dos lábios, no tom em que o mestre-escola repete ao aluno indisciplinado e relapso: "Se você me ouvisse, se não fosse um malandro, faria isto e mais isto e isto...; mas você não presta para nada!... Nunca fará nada! Nunca saberá nada! Nunca será nada!..."

Jorge MartíO texto acima foi retirado de um livro hoje quase esquecido de um autor ainda mais ignorado no Brasil: América Latina - Males de Origem, escrito por Manoel Bonfim em 1905. Dos grandes intérpretes do Brasil, a obra do sergipano talvez seja a mais atual e corajosa, porque foi uma interpretação da realidade brasileira e latinoamericana escrita numa abordagem contrária ao que estava em vigor no início do século XX.

A importância de Bonfim se equipara à de Joaquim Nabuco, Euclides da Cunha, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Hollanda, Caio Prado Júnior e Florestan Fernandes na tentativa de entender o Brasil. Sua atualidade é incômoda. Diferente de outros pensadores seus contemporâneos, Bonfim analisou a sociedade brasileira a parir de uma perspectiva lusofóbica, fez uma denúncia do caráter classista do estado brasileiro do fim do século XIX e início do século XX, ressaltou  a adaptabilidade do português. Mais importante: incluiu as razões sociais nas causas dos males sofridos pelos povos latino americanos, abordagem que era nova no tempo em que escreveu. Além disso Bonfim talvez tenha sido o primeiro intelectual a investigar a idéia de unidade latinoamericana, o que também fez o Jorge Martí, ilustrado na imagem desse post.

Tô lendo o América Latina - Males de Origem e a atualidade do livro, que faz 100 anos em poucos meses, é extraordinária e nos assusta por termos as mesmas condições principais da América Latina de quase um século atrás.



 Escrito por Luiz às 16h27 [] [envie esta mensagem]



Podría perfectamente suprimirte de mi vida,
no contestar tus llamadas,
no abrirte la puerta de la casa,
no pensarte, no desearte,
no buscarte en ningun lugar comun y no volver a verte,
circular por las calles por donde se que no pasas,
eliminar de mi memoria cada instante que hemos compartido,
cada recuerdo de tu recuerdo, 
olvidar tu cara hasta ser capaz de no reconocerte,
responder con evasivas cuando me pregunten por ti,
y hacer como si no hubieras existido nunca.
Pero te amo.
     
Tu voz por el telefono tan cerca y nosotros tan distantes,
tu voz, amor, al otro lado de la linea y yo
aqui solo, sin ti, al otro lado de la luna,
tu voz por telefono tan cerca, 
apaciguandome, ya tan lejos tu de mi, tan lejos,
tu voz que repasa las tareas conjuntas:
"debemos empezar una cosa y luego la otra sin terminar ninguna",
o que menciona un numero magico, 
que por encima de la alharaca del mundo me
habla para decir en lenguaje cifrado que me amas.

Tu voz aqui, a lo lejos, que le da sentido a todo,
tu voz que es la musica de mi alma,
tu voz, sonido del agua, conjuro,
encantamiento.

Algun dia te escribire un poema que no
mencione el aire ni la noche;
un poema que omita los nombres de las flores,
que no tenga jazmines o magnolias.

Algun dia te escribire un poema sin pajaros,
sin fuentes, un poema que eluda el mar
y que no mire a las estrellas.

Algun dia te escribire un poema que se limite
a pasar los dedos por tu piel
y que convierta en palabras tu mirada.
Sin comparaciones, sin metaforas,
algun dia escribire un poema que huela a ti,
un poema con el ritmo de tus pulsaciones,
con la intensidad estrujada de tu abrazo.
Algun dia te escribire un poema, el canto de mi dicha.

O poema acima é de Darìo Jaramillo Agudelo, jovem poeta latinoamericano.



 Escrito por Luiz às 14h16 [] [envie esta mensagem]



Ivan, o terrível

ChuvaO final de semana não será de paz no Caribe. O furacão Ivã deverá alcançar a ilha de Cuba ainda na tarde desse sábado ou no domingo e destelhar metade do país. O governo local já declarou estado de emergência. Na sexta-feira, a capital da Jamaica, Kingstom, amanheceu com a mesma sensação de quem perdeu uma batalha na véspera. Ivã, o terrível, é o terceiro furacão que atinge o Caribe em menos de trinta dias.

Fico imaginando a população se preparando para enfrentar os ventos de 220 KM/h quilômetros, o medo de ver ondas de sete metros se levantando no horizonte, cercas voando, gritos, gritos, gritos e a forçosa necessidade de lutar para continuar vivo depois que a tormenta passar.

É difícil imaginar que meio milhão de pessoas sejam solicitadas a  se retirarem de suas casas - foi o que aconteceu na Jamaica. Os governos locais ainda enfrentam o problema dos saques.

Policiais foram mobilizados e estão patrulhando as ruas de Kingston para evitar possíveis saques. Até agora,  cerca de 25 pessoas morreram ou estão sumidas. Cuba se prepara aparentemente com tranqüilidade. As pessoas compram mantimentos e água. E Fidel avisa que não aceitará ajuda dos Estados Unidos. Mandou dizer que só aceitará "o fim do bloqueio e às medidas de agressão econômica contra nosso país".

Ivan é um furacão de categoria quatro na escala de intensidade Saffir-Simpson (que vai até cinco). Está se deslocando lentamente em direção oeste-noroeste a uma velocidade de 13 km/h. Hoje ou amanhã deve alcançar também as Ilhas Cayman e seus 35 mil habitantes.



 Escrito por Luiz às 14h09 [] [envie esta mensagem]


06/09/2004

O que há entre o Recife e New York?
Recife à noiteNo dia 7 de setembro não se comemora somente o grito de independência do Brasil. É também a data de chegada a Nova Amsterdam (que no futuro seira conhecida como a cidade de Nova Iorque) de algumas famílias de judeus vindos da cidade do Recife. Esse grupo de judeus seria, anos mais tarde, o responsável pela construção da cidade e também da primeira comunidade religiosa da América do Norte.

Na data de Independência brasileira, a comunidade de judeus em Nova Iorque (cerca de 2 milhões de pessoas, mais gente que a população no Recife) vai prestar uma homenagem àqueles pioneiros. Essa é uma grande história. Os judeus saíram de Pernambuco depois da derrota sofrida pelos Holandeses (que dominaram Pernambuco e outras regiões do Nordeste entre 1630 e 1654).

Por que os judeus vieram da Europa pra o Recife? Justamente para fugir ao cerco inquisitório que varria a europa católica em geral e a penúnsula Ibérica em particular. Os holandeses eram tolerantes a credos não católicos, mas quando foram derrotados pelos esforços mestiços brasileiros, seus protegidos, os judeus, tiveram que zarpar. Até hoje eu e muita gente se pergunta se não teria sido melhor a continuidade do governo holandes no Nordeste brasileiro, por causa das coisas que nos legou o governo de Mauricio de Nassau: um sistema de esgoto que ainda hoje salva o Recife, o registro iconográfico importante produzido pelos artistas que lhe acompanharam, como Franz Post e Albert Eckout, o traçado de várias pontes que ainda hoje são responsáveis por um bom pedaço do charme da cidade...

Em História, não se pode pensar como algo teria sido se... Mas esse é outro assunto, para outro post, noutro dia.

ANew Yorkssim, depois da derrota dos holandeses, 16 navios levando 600 pessoas zarparam do porto do Recife em direção a Nova Amsterdam e ilhas do Caribe. Somente 23 judeus conseguem chegar ao porto da ilha de Manhattan. Assim sendo, a comunidade israelita em Nova Iorque presta uma homenagem contando um pouco essa história, a saída, os motivos as dificuldades de adaptação nas novas terras.

Meu amigo Paulo Goethe e outros jornalistas de Pernambuco foram convidados pela cidade de Nova Iorquepara acompanhar as homenagens que acontecem ao longo dessa terça-feira, 7 de setembro. Você também poderá acompanhar as festividades no site do Diario de Pernambuco e as impressões perspicazes de Paulo Goethe, o inumerável, em seu blog, o Fiteiro.

Boa leitura.



 Escrito por Luiz às 11h24 [] [envie esta mensagem]


04/09/2004

Salário mínimo na Argentina é de R$ 436

Los empresarios y sindicalistas de la CGT firmaron a última hora de ayer un
acuerdo para elevar el monto del salario mínimo de 350 a 450 pesos desde este
mes.

Enquanto o salário mínimo no Brasil vale R$ 240,00, a sofrida economia argentina paga aos funcionários o equivalente a R$ 436 - para ser exato, 450 pesos. A notícia fo pescada do jornal La Nacion, cujo link está ali do lado.



 Escrito por Luiz às 20h51 [] [envie esta mensagem]



Comentários que viram posts
Sou um forasteiro em terras virtuais desconheçidas que encantado pelo seus pots não pude me retirar sem mesmo comentar. Fico feliz pelo seu blog está na Indicação. Isso é uma confirmação decidida que este têm qualidades para todos poderem apreciar. Passei a percorre seu blog a fim de ler suas matérias com muita paciencia. Confesso que leria todos se o tempo me permitisse. Descrever sobre a América Latina é um desafio. Isso porque cada país possui suas próprias características belíssimas mas aparentando os mesmos problemas socias, políticos e econômicos. Não podemos deixar de negar a qualidade deste espaço virtual. Parabéns! Eu e teus visitantes ficaremos a aprecia-lo e participá-lo, comentando!

O comentário foi deixado por Pietro Salles Caldas. De fato, escrever sobre a América Latina é difícil, é um desafio. Em parte porque nós brasileiros vivemos afastados da latinoamerica, como se dela não fizéssemos parte. Por que será que isso acontece? Há quem me diga que é uma questão de língua, outros de distância. Há, é claro, a questão da colonização e da influência múltipla de índios e negros na formação do povo brasileiro...

Muitas são as Américas e mais ainda os americanos, nós.



 Escrito por Luiz às 20h43 [] [envie esta mensagem]


03/09/2004

Pílula diária de Humor
Nik - Política/ La Nacion/ Aregntina


 Escrito por Luiz às 12h09 [] [envie esta mensagem]



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A Andaluza e o desterradoMulheres no Taiti 1
(ou de como Paul Gauguin é filho de sua avó)

Quando é que se descobre que o lugar do nascimento é um acidente? Há para uns poucos (ou serão muitos?) um momento na vida em que essa sensação é inevitável. Pra essa gente, a verdadeira pátria, esse conceito tão sublimado já, é questão de escolha. Talvez isso explique a razão pela qual sempre existir uma legião de exilados morando nos lugares em que nasceram.

Quando Paul Gauguin descobriu que sua pátria era a Polinésia, já tinha quase quarenta anos, alguns esparços amigos e uma penca de inimigos na França do século XIX. Sua avó, Flora Tristán, descobriu sua natureza um pouco mais tarde. Ambos compartilharam até o fim da vida a natureza funesta dos exilados. A história dos dois foi contada pelo escritor Mario Vargas LLosa. A história não é nova, foi escrita no livro "O Paraíso na Outra esquina" no ano passado e sua leitura me foi gentilmente sugerida por Renata.

Flora - la Madame-la-Colère - tentou mudar não somente a França recém industrializada dos anos de 1840. Foi uma revolucionária apaixonada e apaixonante, que se entregou à criação da união operária, através da qual os trabalhadores conseguiriam o direito ao trabalho, educação, saúde, condições decentes de existência. A França daqueles tempos era como um barril de pólvora, porque as condições de trabalho eram terríveis e prepararam a tomada de Paris pelos revolucionários de 1848 - mas isso já é assunto pra outro post, noutro dia.

Mulheres no Taiti 2O fato é que Madame-la-Colère resolveu ser a porta-voz de uma proposta revolucionária de mundo melhor - o que não é pouco numa Europa atrasada, machista mesmo nos meios intelectuais e insulflada por um sem número de tendências políticas - anarquistas, sansimonistas, fouriesistas, falansterianos, monarquistas convictos e marxistas recém nascidos, etc.

Tinha autoridade e força pra isso. Anos antes havia abandonado, com três filhos pequenos, o marido. Este, assim, obteve o direito de colocá-la na prisão por abandono do lar, de acordo com as leis francesas. Flora perdeu os filhos, a inocência e - acho eu - uma certa esperança de ser feliz. Que ela substituiu pela necessidade de luta. Não é essa uma certa essência revolucionária? Passou anos fugindo do marido, que a perseguia e a seus filhos e, numa dessas fugas, veio parar no Peru, na cidade de Arequipa.

Seu neto não tentou mudar o sistema onde nasceu. Resolveu negá-lo e desterrou-se na Polinésia. Ou para ser mais exato, escolheu o Taiti como sua terra, sua mãe terra.A história dos dois se encontra justamente em perceber o descompasso com o mundo em sua volta, com a cidade em que vivem, com a situação que lhes fez nascer. E mais: ao escolher outro lugar, não conseguir se adaptar lá também, como se impossível fosse alguma paz, nalguma localidade.

MUlheres no Taiti 3Uma dos trechos mais tristes, até agora, é quando Paul, já tendo perdido um de seus filhos no Taiti, lembra-se de sua mãe, Aline Gauguin e de sua outra filha de 19 anos que mora na Europa e que também morre de tuberculose. No desespero de se ver envolto em tanta infelicidade ele pinta "Portrait of Aline Gauguin", um dos poucos quadros que não tem motivos baseados na mata e na gente do Taiti, como os que ilustram esse post.

É triste perceber, que mesmo no Taiti, onde Gauguin julgava que se tornaria um selvagem, livre de todo o preconceito e submissão ao mundo mesquinho de uma Europa dominadora, mesmo naqiela terra paradisíaca, ele se sentia um estrangeiro. Ou pelo menos frustrado porque aquele modo de vida europeu já havia conquistado a "sua" pátria" taitiana. Ainda não terminei o livro e estou indo em passos lentos. Não somente porque a leitura é deliciosa. Mas sobretudo por supor que o fim do livro não atenuará essas dúvidas sobre pertencer a um lugar.

Brigado Renata.



 Escrito por Luiz às 02h33 [] [envie esta mensagem]


02/09/2004

Comentários que viram posts

POIS É MIGO... E EU... EM MENOS DE QUATRO MÊSES, (HOJE MEU BLOG FAZ QUATRO MÊSES)... TIVE: + DE 20.000 VISITANTES... UM POST COM 276 COMENTÁRIOS... VÁRIOS COM MAIS DE 100/200 COMMENTS... E + DE 5.000 COMENTÁRIOS NO TOTAL... E NUNCA ME BOTARUM AKI d:0/... PARABÉNS... AMPLEXOS... >:)

O comentário acima, feito por Benny, foi que me alertou para a colocação deste Soy Loco por Ti na lista dos blogs legais do UOL. Quase não acreditei, porque estava dando uma olhada nos raros comentários - dos poucos leitores que eu sei que passam por aqui - no intervalodo fechamento do jornal. O mais engraçado é que eu criei esse blog para que meu tempo possa ser mais bem aproveitado em leituras que eu deixei de lado por muitos anos e por outras que eu adiei por outros tanto.

El tiempo passaEm geral, nos acostumamos à idéia de que novas tarefas e atribuições vão roubar o pouco tempo que nos é permitido desfrutar pelo trabalho despazeiroso, por amores insosos - que  nos felicitam só raramente -, pelas prisões que nos isolam e liquefazem, e pelo cansaço, enfim, de tudo um pouco. É fácil se acostumar, se acomodar. Sobretudo quando desfrutamos de toda a liberdade para fracassar no amor, no trabalho, como cidadãos, como leitores, como motoristas, como eleitores, como país, etc. E essa liberdade é justificada em geral na falta de tempo, que é uma justificativa racional. Demasiado racional.

Lutar contra o tempo, por outro lado nos liberta, quando tornamos possível usar a linguagem com a qual ele opera: a da falta, do que escorrega, do que foge e se alimenta de completude e incompletude.

Bueno, agora é curtir durante uma semana (menos?) a posição do Soy Loco Por Ti na lista dos legais do Uol.

Valeu! 



 Escrito por Luiz às 21h17 [] [envie esta mensagem]



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