SOY LOCO POR TI
Política, Mídias, Economia, Arte, Futebol e Humor na América Latina

28/09/2004

Notícias dum paquiderme

Talvez a filha de Salvador Allende esteja com a razão. O que há de mais importante nessa novela do julgamente do criminoso chamado Augusto Pinochet é que o julgamento comece. Concordo com ela, que diz que não é importante se ele será julgado cupado ou inocente. Aos 88 anos, é bem provável que um julgamento justo não consiga chegar ao fim sem que ele morra.

A questão é que ele tem que perceber, no fim da vida, que está sendo julgado, que não é um sujeito acima do bem e do mal, como tantos anos de ditadura fizeram crer a ele e a outros ditadores latinoamericanos.

A notícia veiculada hoje, de que documentos secretos foram extraviados, ameaça essa pequena esperança. Os advogados de acusação culpam os advogados de defesa de Pinochet. Essa história diz respeito também a nós brasileiros porque Pinochet é acusado pelos crimes da Operação Condor - um esquema secreto de cooperação entre os aparatos repressivos de governos militares do Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Brasil durante os anos 70 e 80.

A tentativa mais imediata agora é que o processo corra antes de novos exames aque Pinochet será submetido na quinta-feira.



 Escrito por Luiz às 21h28 [] [envie esta mensagem]


23/09/2004

Pílula diária de humor
Tute/La Nacion Online/Argentina

 

 

 

 

 

 

 


Aos poucos mas especiais leitores desse blog: a atualização não tem sido lá muito constante, mas é alta de tempo e cansaço, no final do dia. spero que logo logo, isso mude. Por enquanto, quando isso acontecer, vou lançar mão do humor de alguns dos ilustradores da terrinha.



 Escrito por Luiz às 11h27 [] [envie esta mensagem]


22/09/2004

40 anos com tudo em cima

A sopa é para a infância o que o comunismo é para a democracia

 

 

 

 

"No tiene importancia lo que yo pienso de Mafalda. Lo importante es lo que Mafalda piensa de mí". Quando o escritor Julio Cortazar declarou isso, a cria do cartunista Joaquín Salvador Lavado, a Mafalda, já era uma celebridade na Argentina, seu país de origem, e em muitos outros. De fato, a pequena garota contemplativa e reflexiva, dona e um humor ácido e altamente politizado já tinha legiões de fãs mundo afora. No dia 29 de setembro, Mafalda completa 40 anos com tudo em cima.

Mais do isso, a tiras de Quino, como Joaquín assina, continuam mais do que nunca atuais e necessárias e universais. É claro que durante os anos de chumbo na América Latina, os pequenos diálogos de Mafalda e seus amigso de escola, sua mama e papa e as reflexões sobre política e economia traziam um pouco mais do que a sensação de universalidade. Porque era diálogos que driblavam a mentalidade tacanha das censuras policiais e criticavam os horrores e a estupidez dos sistemas autoritários e decadentes na ordem do dia no Chile, Argentina, Brasil.

Mafalda, entretanto, não ficou grudada à agenda contestatória da década de 60, 70 e 80. A guerra fria, a ameaça nuclear, recessão, Beatles, psicanálise,a chegada dos astronautas dos Estados Unidos à lua, a infância, velhice, a pobreza, a curiosidade infantil e a sopa são temas presentes, vivos e importantes para 10 entre cada 10 adultos.

Algumas das melhores são justamente as que brincam com o cotidiano!

Hoje, Mafalda chega traduzida a 26 idiomas - entre eles o chinês, o grego e o holandês.Somente na Argentina, já foram vendidos mais de 20 milhões de exemplares de livros com tiras de Mafalda. A primeira aparição de Mafalda foi justamente na revista Primeira Plana, Argentina. 

Muitos sites interessantes dão conta de informações sobre Mafalda e seu criador, o Quino, que ainda continua produzindo. Muitas coisas engraçadas circulam a personagem principal, e uma delas é justamente o casal de seus pais - que ficam com umas caras ótimas quando Mafalda tira da cartola um de seus comentários mais ácidos, imperinentes.

Os amigos de Mafalda também são ótimos e ajudam a compor um quadro muito familiar por uma razão muito simples: os amigos dela, a própria gordinha de olhos espantados, seus questionamentos assustadoramente inocentes e perspicazes, nós já os vimos na infância de outras crianças ou na nossa própria. E mais: alguns desse comentários são aqueles que não temos coragem de fazer diante da eventual nudez do rei.

 

 

 

 

 

Longa vida a Mafalda. Gracias, Quino. Gracias a la vida.



 Escrito por Luiz às 00h06 [] [envie esta mensagem]


16/09/2004

Por que você não se mata?
A poesia morre ao nascer do dia, quando o ritmo da vida atropela a rima. Morre ao sair de casa, morre ao dobrar a esquina, morre ao chegar ao lugar que é lugar nenhum. Lugar nenhum apenas porque não vale nada, não leia nisso algo abstrato ou poético. Morre ali, no cansaço do fim do dia, na noite sem sexo refletida na tela quente. Morre na prosa, no paralelismo, na mediocridade metalingüística que tenta se desculpar mas não a justifica. Morre no excesso de consciência, morre na alteração da consciência, morre na falta de consciência. Morre quando é chata. Morre quando você não a lê mais. Morre quando você lê e não significa nada. Morre no grito eternamente repetido até perder o sentido. Morre no entendimento. Morre com os entendidos enfadados. Morre quando dá voltas em torno de si mesmo e não se rompe para gritar: “Te amo, PORRA!". Morre quanda ama e é correspondido. Morre na felicidade. Fosse o mundo feliz e não haveria poesia. O meu desejo mais profundo é enforcar o último poeta com as tripas do último filósofo. Morre, morre, morre quando inventa quando rompe quando tenta. Morre na referência pop. Poetry shot me down. Morre na referência erudita, porém óbvia. Morre na referência erudita e obscura. Morre quando é simpática, mas incompetente. Morre quando é boba. Morre, morta está porque muitos vivos estão os poetas de merda, tão delicados que são poetinhas de cocô. Poetas rebuscados de excrementos. Morre, ao passar os olhos correndo e torcer para ser o final.

Morre, desgraçada. Morre.

Bonito né? E duro. Mas quem disse que a vida é mole? Esse texto foi retirado de um dos blogs mais legais que existem em língua portuguesa e que eu recomendo pela beleza dos textos, pela inteligência, humor e simplicidade: o Domicílio Conjugal.

Hilda Hilst também tem uma pérola para falar da dureza da vida e da leveza dos líquidos que nos ajudam a suportá-la:

AlcoólicasEscritora Hilda Hilst e uma taça de vinho
                I
É crua a vida. Alça de tripa e metal.
Nela despenco: pedra mórula ferida.
É crua e dura a vida. Como um naco de víbora.
Como-a no livor da língua
Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me
No estreito-pouco
Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida
Tua unha plúmbea, meu casaco rosso.
E perambulamos de coturno pela rua
Rubras, góticas, altas de corpo e copos.
A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.
E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima
Olho d’água, bebida. A vida é líquida.

                    II
Também são cruas e duras as palavras e as caras
Antes de nos sentarmos à mesa, tu e eu, Vida
Diante do coruscante ouro da bebida. Aos poucos
Vão se fazendo remansos, lentilhas d’água, diamantes
Sobre os insultos do passado e do agora. Aos poucos
Somos duas senhoras, encharcadas de riso, rosadas
De um amora, um que entrevi no teu hálito, amigo
Quando me permitiste o paraíso. O sinistro das horas
Vai se fazendo tempo de conquista. Langor e sofrimento
Vão se fazendo olvido. Depois deitadas, a morte
É um rei que nos visita e nos cobre de mirra.
Sussurras: ah, a vida é líquida.

                    III
Alturas, tiras, subo-as, recorto-as
E pairamos as duas, eu e a Vida
No carmim da borrasca. Embriagadas
Mergulhamos nítidas num borraçal que coaxa.
Que estilosa galhofa. Que desempenados
Serafins. Nós duas nos vapores
Lobotômicas líricas, e a gaivagem
se transforma em galarim, e é translúcida
A lama e é extremoso o Nada.
Descasco o dementado cotidiano
E seu rito pastoso de parábolas.
Pacientes, canonisas, muito bem-educadas
Aguardamos o tépido poente, o copo, a casa.

Ah, o todo se dignifica quando a vida é líquida

                     IX
Se um dia te afastares de mim, Vida — o que não creio
Porque algumas intensidades têm a parecença da bebida —
Bebe por mim paixão e turbulência, caminha
Onde houver uvas e papoulas negras (inventa-as)
Recorda-me, Vida: passeia meu casaco, deita-te
Com aquele que sem mim há de sentir um prolongado vazio.
Empresta-lhe meu coturno e meu casaco rosso: compreenderá
O porquê de buscar conhecimento na embriaguês da via manifesta.
Pervaga. Deita-te comigo. Apreende a experiência lésbica:
O êxtase de te deitares contigo. Beba.
Estilhaça a tua própria medida.

 



 Escrito por Luiz às 22h11 [] [envie esta mensagem]



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