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| 28/10/2004 |
Let´s talk about sex (uma pesquisa de opinião)

A uma mulher passante (Baudelaire) A rua, em torno, era ensurdecedora vaia Toda de luto, alta e sutil, dor majestosa, Uma mulher passou, com sua mão vaidosa Erguendo e balançando a barra alva da saia;
Pernas de estátua, era fidalga, ágil e fina. Eu bebia, como um basbaque extravagante, No tempestuoso céu do seu olhar distante, A doçura que encanta e o prazer que assassina.
Brilho... e a noite depois! - Fugitiva beldade De um olhar que me fez nascer segunda vez, Não mais te hei de rever senão na eternidade?
Longe daqui! tarde demais! nunca talvez! Pois não sabes de mim, não sei que fim levaste, Tu que eu teria amado, ó tu que o adivinhaste!
Ando tendo umas idéias. Dizem que nesses casos uma pesquisa de opinião pode ajudar.
O fato é que ando cogitando criar um blog novo e o assunto está nessas entrelinhas, sinuosas.
A questão é saber se vale a pena
escrever sobre amor, sobre
todo tipo de amor.
Escrito por Luiz às 01h35
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 A uma mulher amada (Safo) Ditosa que ao teu lado só por ti suspiro! Quem goza o prazer de te escutar, quem vê, às vezes, teu doce sorriso. Nem os deuses felizes o podem igualar.
Sinto um fogo sutil correr de veia em veia por minha carne, ó suave bem-querida, e no transporte doce que a minha alma enleia eu sinto asperamente a voz emudecida.
Uma nuvem confusa me enevoa o olhar. Não ouço mais. Eu caio num langor supremo; E pálida e perdida e febril e sem ar, um frêmito me abala... eu quase morro ... eu tremo.
Esse blog assim pensado, assim imaginado, tem leitor? Leitora? Porque certamente desejo tem de montão...

Araras versáteis (Hilda Hilst) Araras versáteis. Prato de anêmonas. O efebo passou entre as meninas trêfegas. O rombudo bastão luzia na mornura das calças e do dia. Ela abriu as coxas de esmalte, louça e umedecida laca E vergastou a cona com minúsculo açoite. O moço ajoelhou-se esfuçando-lhe os meios E uma língua de agulha, de fogo, de molusco Empapou-se de mel nos refolhos robustos. Ela gritava um êxtase de gosmas e de lírios Quando no instante alguém Numa manobra ágil de jovem marinheiro Arrancou do efebo as luzidias calças Suspendeu-lhe o traseiro e aaaaaiiiii... E gozaram os três entre os pios dos pássaros Das araras versáteis e das meninas trêfegas.
Minha maior dúvida se vale a pena fazer esse novo blog não é por causa da falta de tempo, nem da enorme quantidade de bons blogs sobre erotismo e boas palavras. Deve ser porque eu sou meio antiquado.

Poeminha de louvor ao "strip-tease" secular (Millor Fernandes) Eu sou do tempo em que a mulher Mostrar o tornozelo Era um apelo! Depois, já rapazinho, vi as primeiras pernas De mulher Sem saia; Mas foi na praia!
A moda avança A saia sobe mais Mostra os joelhos Infernais!
As fazendas Com os anos Se fazem mais leves E surgem figurinhas Em roupas transparentes Pelas ruas: Quase nuas. E a mania do esporte Trouxe o short. O short amigo Que trouxe consigo O maiô de duas peças. E logo, de audácia em audácia, A natureza ganhando terreno Sugeriu o biquíni, O maiô de pequeno ficando mais pequeno Não se sabendo mais Até onde um corpo branco Pode ficar moreno.
Deus, A graça é imerecida, Mas dai-me ainda Uns aninhos de vida!
O certo é que alguns desses poeminhas eu queria tê-los escrito. Como isso não é possível, vai essa substituição: dividir pra aprender. Ou reaprender. Como escrevi lá em cima, essa é uma pesquisa de opinião. Opine.
Aula de amor (Bertold Bretch) Mas, menina, vai com calma Mais sedução nesse grasne: Carnalmente eu amo a alma E com alma eu amo a carne.
Faminto, me queria eu cheio Não morra o cio com pudor Amo virtude com traseiro E no traseiro virtude pôr.
Muita menina sentiu perigo Desde que o deus no cisne entrou Foi com gosto ela ao castigo: O canto do cisne ele não perdoou.
Escrito por Luiz às 01h01
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| 25/10/2004 |
Amando sobre os jornais (Chico Buarque) Amando noite afora Fazendo a cama sobre os jornais Um pouco jogados fora Um pouco sábios demais Esparramados no mundo Molhamos o mundo com delícias As nossas peles retintas De notícias
Amando noites a fio Tramando coisas sobre os jornais Fazendo entornar um rio E arder os canaviais Das páginas flageladas Sorrimos mãos dadas e, inocentes Lavamos os nossos sexos Nas enchentes
Amando noites a fundo Tendo jornais como cobertor Podendo abalar o mundo No embalo do nosso amor No ardor de tantos abraços Caíram palácios Ruiu um império Os nosso olhos vidrados De mistério.
Andaluza, essa música de Chico é pra você e sua doce presença.

Foi um beijo... (Martha Medeiros)
foi um beijo onde não importava a boca só tuas mãos quentes me apertando pelas costas nada estava acontecendo na minha frente e a ansiedade que havia não era pouca teus dedos perguntavam pra minha blusa se meu corpo acolheria um delinqüente descoladas as línguas um instante minha resposta saiu um tanto rouca
Escrito por Luiz às 15h31
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| 24/10/2004 |
Uruguai, Tupamaros, revolução e emails
O Uruguai está em processo eletivo. Escolherá novo presidente no dia 31. Os dois principais candidatos são Tabaré Vázquez e Jorge Larrañaga. O primeiro é do centro-esquerdista Frente Amplio (FA), e tem fortes vínculos com os ex-guerrilheiros tupamaros - guerrilha urbana que tentou chegar ao poder no país há 40 anos. O outro é do Partido Branco, centro-direita.
A vinculação de Vázquez com os Tupamaros começou a ser utilizada contra ele, pelo Partido Blanco, que produziu, na reta final da campanha, um vídeo em que mostra como os membros da guerrilha escolhiam entre seus inimigos quem iria morrer. O filme, vetado pela justiça, usa imagens colhidas nas décadas de 1960 e 1970.
Impossibilitado de usar o vídeo na tv, o Partido Blanco está enviando o material por email. Apesar disso, a esquerda da Frente Amplio deverá vencer as eleições. É o que indicam as principais pesquisas até agora. Segundo a consultoria Factum, Tabaré Vázquez receberia 52% dos votos. Jorge Larrañaga, chegaria a 30%, enquanto que Stirling (candidato menor) ficaria com 10%. Maiores detalhes em http://www.elpais.com.uy
Menem volta a ser investigado A suspeita de que o ex-presidente Carlos Menem tenha contrabandeado armar para a Croácia e Equador entre os anos de 1991 e 1995 volta à tona. É que um tribunal do país ordenou a reabertura do processo. O ministro da economia de então era Domingo Cavallo, que também está sendo investigado. O processo tinha sido suspenso em 2003, depois dos dois terem sido inocentados. Dois anos antes, Menem havia sido preso em casa por conta desse caso. Talvez por causa disso, o ex-presidente tenha solicitado "garantias" à Justiça Argentina antes de se apresentar. Menem mora no Chile com a mulher.
Fórum Social Mundial confirmado em Porto Alegre Sérgio Haddad, o coordenador do Fórum Social Mundial no Brasil, confirmou que os encontros do Fórum Social Mundial continuarão a acontecer em Porto Alegre e que a permanência do evento na cidade independe do resultado na eleição do segundo turno.
10 anos depois, putas tristes Garcia Marquez teve que antecipar, na semana passada, o lançamento de seu livro,cujo título é "Memória de minhas putas tristes". Motivo: descobriu-se exemplares piratas em sua terra natal, a Colômbia. O escritor não produzia um romance novo desde "Do Amor e Outros Demônios", dez anos atrás.
Escrito por Luiz às 18h46
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| 21/10/2004 |
Cai Fidel!
Fidel caiu. É mais correto dizer que, sem aparente motivo, levou um tombo Fidel Castro, presidente de Cuba, durante cerimônia de formatura que acompanhava no mesmo edifício que guarda osresyos mortais de Ernesto Che Guevara, na cidade de Santa Clara, que fica a 280 quilômetros da capital Havana. Não passou do chão. Aparentemente,fraturou o joelho, machucou o braço e feriu o brio.
É melhor dizer assim, do que dizer que "aparentemente sem razão", caiu o presidente Fidel Castro", porque essa frase pode dar a idéia que caiu o regime castrista. Regime que consegue a façanha de existir há uns 40 anos e não se consolidar como capitalismo, nem comunismo, nem socialismo de estado, nem anarquia, nem mercantilismo.
Fidel, por essas e outras razões (fim da União Soviética e de seu apoio; aumento do terrorismo de estado americano nos últimos anos; pressões internacionais pelos direitos humanos, pressões internas por abertura) tem portanto todos os motivos para cair de fato e passar do chão dessa vez. É muito feio rir quando uma pessoa cai. Ainda mais se você tem um mínimo de simpatia pela vítima.
Rir da queda do regime castrista, então, seria ainda mais estranho, porque não dá pra saber o que virá adiante. Ficaria Cuba pior do que já está? Ficaria Cuba pior do que quando Fulgêncio era o ditador da ilha? E para o restante da América Latina, o que significaria a queda do regime? Os Estados Unidos certamente se aproximariam, estrategicamente, da ilha, até pelas pressões internas dos dissidentes... Isso seria bom ou ruim?
Uma tombo sem razão às vezes nos faz pensar num monte de coisas, não? E geralmente muitas dessas razões aparentemente não aparentes estão sempre ali, às nossas barbas, como estavam as razões do tombo de Fidel diante das barbas do defunto de Che, em Santa Clara.
Queria fosse possível essaqueda servisse praoregime se ver em seu anacronismo, em sua estranheza, em sua queda trágica, demorada, antirevolucionária, triste, inevitável, ameaçadoramente ruim pra o restante da América.
Fidel tem 78 anos. Já anunciou que seu irmão, que nãolembro o nome agora, deverá continuar seu reinado.
Escrito por Luiz às 12h10
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| 19/10/2004 |
Contrariando os objetivos iniciais desse blog, que é falar e discutir sobre a América Latina, não resisti em colocar o poema abaixo que encontrei na internet. Esse blog tá ficando muito fofo mesmo...
Intimidade  Se tocar um blues e eu estiver de azul como a tarde, beija-me o pescoço, explora-me o decote (aos amigos se permitem certas intimidades).
Mas se tocar um tango, dança comigo, beija-me a boca, quem sabe me ama (que não é de ferro a amizade).
Depois: tomar café com leite e pão torrado.
E seguir sendo amigos por infinitas outras tardes.
Márcia Maia
Escrito por Luiz às 09h30
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| 16/10/2004 |
A América Latina estaria muito pior se estivesse sob dominação dos índios
E a Europa, que já não comporta o número de habitantes, e cuja avidez e ganância mais se acendem à proporção que a população engrossa – a Europa não tira os olhos do continente legendário. Condenando as sociedades que vivem sobre ele, os porta-vozes das opiniões correntes no Velho Mundo não conseguem ocultar os seus sentimentos quanto ao futuro a que aspiram para as nações sul-americanas. Alguns mais desabusados o dizems em rebuço; outros – os que sabem fazer as coisas – velam um pouco o pensamento; mas quem queira ler nas entrelinhas, aí achará o reflexo desse conceito geral: “È lastimável e irritante que, enquanto a Europa, sábia, civilizada, laboriosa e rica, se contorce comprimida nessas terras estreitas, alguns milhões de preguiçosos, mestiços degenerados, bulhentos e bárbaros, se digam senhores de imensos e ricos territórios, dando-se ao sataqüerismo de considera-se nações. Está verificado que eles são incapazes de organizar verdadeiras nacionalidades; o que a Europa tem a fazer é deixar-se de idiotas contemplações e contemporizações...
Este é o sentir geral que traduz, não só um juízo categoricamente desfavorável a nosso respeito, como uma certa má vontade de quem vê nas atuais nações sul-americanas o obstáculo à posse e ao gozo de uma riqueza apetecida. Por vezes, esta má vontade faz de explosão; os apetites retidos vêm à luz sob a forma de reclamações, às quais já se teria seguido a investida formal, se não fossem os Estados Unidos; já estaria infinitamente mais ensangüentado, mais barbarizado do que atualmente.
Esse é um trecho de um livro que eu já comentei aqui e que se chama América Latina - Males de Origem, de Manuel Bonfim. Poderia servir de resposta e ao mesmo tempo de explicação (não justificativa) ao que falou o cônsul espanhol na Argentina, por ocasião do dia 12 de outubro, dia do descobrimento da América:
“Muito pior estariam, ou estaríamos, sob as civilizações incas, astecas, sioux, apaches ou mapuches, quando é bem conhecida sua divisão em castas e seu caráter imperialista e sanguinário”, disse o senhor Pablo Sánchez Terán, 58 anos.
Sánchez Terán justificou o genocídio de civilizações inteiras com essa frase infeliz. A citação de Manuel Bonfim é só pra fazer compreender que a Europa parece imaginar a América Latina da mesma forma que o fazia em 1905, quando o livro do Bonfim foi publicado.
Não mudamos nós, ou não mudaram eles?
O caso, na Argentina, vem levantando polêmica nos jornais.
Escrito por Luiz às 00h51
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