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| 14/12/2004 |
Em primeira mão
Ainda estou escrevendo na redação desse centenário jornal quando chega a notícia de que o prêmio mais importante do jornalismo brasileiro, o Prêmio Esso, foi concedido ao Diario de Pernambuco, à queridíssima pessoa do repórter especial Vandeck Santiago.
Vandeck passou quase dois meses produzindo o mais imporante e completo documento jornalístico sobre o movimento das Ligas Camponesas, a figura de seu líder Francisco Julião e o relacionamento de ambos com o golpe instaurado no Brasil em 1964.
Existem muitas maneiras de produzir um caderno especial sobre períodos históricos. Uma delas consiste em simplesmente rememorar os fatos. Outra, rememorar e acrescentar análises de especialistas. Uma terceira, rememorar, analisar e divulgar fatos inéditos. A opção utilizada pelo DIARIO DE PERNAMBUCO, no trabalho que ora apresentamos ao leitor, avança ainda mais: rememora, analisa, divulga fatos inéditos (uma série deles, para ser mais exato) e dá ao conjunto uma abordagem igualmente inédita.
Francisco Julião foi um dos responsáveis pelo início da discussão da reforma agrária no Brasil num dos pioresmomentos: naquele em que seria mais fácil se acovardar e esquecer esse assunto para o futuro. Apesar disso, ou talvez por isso mesmo, Julião morreu numa situação de esquecimento e penúria. O resultado do colega Vandeck será publicado em formato de livro no início de 2005.
O Golpe Militar de 31 de Março de 1964 é enfocado aqui partindo-se da trajetória das Ligas Camponesas e do seu líder, Francisco Julião. Não tratando um e outro como causas, mas como linhas paralelas que se cruzam no final. E de acordo com a melhor interpretação desse período (a de Moniz Bandeira, doutor em ciência política), segundo a qual "os principais protagonistas desta história política foram as classes sociais".
Não é só orgulho o que me move a fazer esse post, nem a sanha pra dar em primeira mão. Não é o orgulho besta que o governo desse estado reivindica e vende, ou o orgulho bobo e inóquo do pernambucano com o ser pernambucano acima de tudo e de todos. É orgulho com a boa e sincera idéia que moveu a reportagem, orgulho por sua contribuição, pela emoção do texto, pela qualidade da narrativa – é uma pena o material estar fechado só pra assinantes.
É orgulho também pela qualidade de pessoas que trabalham e fazem essa redação.
Em virtude da atuação das Ligas e de Julião o movimento camponês teve no Brasil uma presença social e política que antes nunca tivera em toda a História brasileira. Foi um fenômeno de repercussão mundial. Ganhou as páginas da imprensa norte-americana. Foi tema de discurso daquele que na época era o homem mais poderoso do planeta, o presidente John Fitzgerald Kennedy - diversos integrantes do seu governo (incluindo o irmão, Edward) estiveram em Pernambuco, visitando áreas camponesas.
É orgulho também por ver que uma idéia calcada numa visão de mundo libertária como a de Julião e das Ligas Camponesas não é uma utopia preconceituosa, mas pode se tornar uma força e fonte de beleza, informação, formação e registro da nossa história.
O DIARIO DE PERNAMBUCO - jornal que há 178 anos vem contando nossa História - optou por caminho diverso. Ao fazê-lo, está em consonância com o raciocínio celebrizado por Tolstoy, de que quem pinta sua aldeia está na verdade pintando o universo. No caminho adotado o DIARIO apóia duas novidades, ambas ousadas. A primeira, tratar do golpe enfatizando a luta pela terra. A segunda, resgatar a dimensão e o papel histórico das Ligas e de Julião.
O trecho em cinza é parte do texto de abertura da reportagem vencedora.
Escrito por Luiz às 23h33
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| 13/12/2004 |
Procura-se gente para beber A questão foi sugerida numa tarde de domingo em conversa agradável com os amigos Boscão e Pat, além de Fabiana Morales: com que figuras seria bom tomar uma cerveja? A lista completa parece infinita - alguns nomes surgiram no meio da conversa e outros foram colocados aí por mim mesmo.
Os nomes abaixo são de pessoas que, em geral, nós amamos e que, bem ou mal, aprendemos a admirar mesmo que à distância. Aceita-se mais sugestões.
Chico Buarque Cartola José Maria Vinícius de Moraes Antônio Maria Dona Zica Riachão Mário Lago Luiz Gonzaga Gonzaguinha Baby Consuelo (antes da fase hesotérica) Zé Celso Martinez Dimas (gerente do Bar Royal, no bairro do Recife) Paulinho da Viola Dorival Caymmi Léo Jaime (sugestão de Adriana Helena) Leila Pinheiro (idem) Lima Duarte (idem) Tonhão (sugestão telepática de Renata) Nélson Rodrigues Albert Camus Iara Lima Ernesto Guevara Zizi Possi e Ângela Rorô (em dias diferentes) Zeca Pagodinho (pra pedir a benção) Hilda Hilst (tá, eu sei que ela preferia vinho...)
Sugestões serão acrescentadas a esse dream team
Escrito por Luiz às 11h45
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Pílulas diárias de Humor

não sei se rio ou se choro

Eu fazia isso quando era criança, hehehe
Escrito por Luiz às 09h05
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| 10/12/2004 |
Pílula diária de Humor

Escrito por Luiz às 11h37
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| 07/12/2004 |
Perguntas pertinentes Está em andamento o projeto de criação da Comunidade Sul-Americana de Nações. Aparentemente a idéia é expandir o objetivo de integração entre mercados e e impulsionar a integração física (transportes, comunicações e energia) entre todos os 12 países da região.
A comunidade será formalmente nesta quarta-feira, 8 de dezembro, na 3ª Reunião de Presidentes da América do Sul, em Cuzco, Peru. Como é que fica o débil projeto ainda inacabado de livre comércio chamado Mercosul? Pra onde vai a Comunidade Andina de Nações (CAN)? Essa nova comunidade pode dispersar ainda mais os interesses sulamericanos frente a Alca? Se alguém aí em sã consciência souber responder algumas dessas questões, preencha um cartão da megasena e me dê de presente de aniversário.
Gracias.
Escrito por Luiz às 16h14
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Gracias a la vida (Violeta Parra)
Gracias a la vida, que me ha dado tanto. Me dio dos luceros, que cuando los abro, Perfecto distingo lo negro del blanco, Y en el alto cielo su fondo estrellado, Y en las multitudes el hombre que yo amo.
Gracias a la vida, que me ha dado tanto. Me ha dado el oído que, en todo su ancho, Graba noche y día grillos y canarios Martillos, turbinas, ladridos, chubascos, Y la voz tan tierna de mi bien amado.
Gracias a la vida, que me ha dado tanto, Me ha dado el sonido y el abecedario. Con él las palabras que pienso y declaro, "Madre,", "amigo," "hermano," y los alumbrando La ruta del alma del que estoy amando.
Gracias a la vida, que me ha dado tanto. Me ha dado la marcha de mis pies cansados. Con ellos anduve ciudades y charcos, Playas y desiertos, montañas y llanos, Y la casa tuya, tu calle y tu patio.
Gracias a la vida que me ha dado tanto Me dio el corazón, que agita su marco. Cuando miro el fruto del cerebro humano, Cuando miro al bueno tan lejos del malo. Cuando miro el fondo de tus ojos claros.
Gracias a la vida que me ha dado tanto. Me ha dado la risa, y me ha dado el llanto. Así yo distingo dicha de quebranto, Los dos materiales que forman mi canto, Y el canto de ustedes que es el mismo canto.
Y el canto de todos que es mi propio canto. Gracias a la vida que me ha dado tanto.
Escrito por Luiz às 11h19
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Essa coisa chamada vida E aí então vc percebe que seu rosto mudou e que não é o efeito de uma ressaca, nem a impressão de sono mal dormido, nem é tristeza ou alegria. É o mesmo rosto da criança que você era e o mesmo rosto do velho que virá a ser. Mas mesmo assim você se pergunta como o rosto se transformou assim e de como suas mãos cresceram, e os músculos dilataram e de como o cabelo começa a cair, e como é injusto que uns fios aqui e ali despenquem para o branco. E começa a se perguntar em que momento essas rugas novas se alojaram no canto da boca e de como a boca perdeu um pouco a maciez.
E a í talvez você se lembre que o coração também endureceu um pouco mais, mas não perdeu a maciez; e que o tato não é o mesmo, mas conserva a delicadeza que às vezes fere quando acaricia. Você percebe encantado que um beijo não é cá entre nós um beijo só, mas que só um beijo pode ser só um beijo mesmo, antes que você me beije.
E porque tudo é rápido demais e ninguém tem tempo pra nada, você começa a aprender a valorizar o tempo e os presentes que ele concede, mesmo quando você percebe a embalagem muito tempo depois.
E porque o rumor dos dias obedece a um ciclo que se repete, você começa a identificar a ordem do jogo, e por isso mesmo a amar suas regras, as pessoas especiais que você tem a sorte de encontrar, as pessoas detestáveis que você tem a sorte de encontrar, os amores e desamores cuja sorte só você pode encontrar.
E aí, um ano mais velho, você talvez se sinta com sorte de poder celebrar com alegria e disposição essa coisa chamada vida.
Escrito por Luiz às 10h52
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