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| 14/01/2005 |
Algumas Palavras Começo meu Ano Novo feliz em aceitar o convite do Luiz para escrever nesse espaço que há muito me vem agradando pelos assuntos que vejo levantados e as informaçoes cuidadosamente apresentadas. Nao tenho experiência nenhuma em escrever em Blogs, mas como minha principal atividade é ler, escrever e fotografar... (nao necessariamente nessa ordem!), acredito que desfrutarei bastante em estar contribuindo com alguns textos, ainda que eu nao seja muito organizada quanto aos temas!
Inicio com um sobre um assunto que vem me incomodando desde minha chegada à Europa em 2003...
Turismo? Há várias maneiras de se chegar a um país extrangeiro e nenhuma delas é mais degradante do que aquela que se faz por meio de disfarces, fugas e tantos subterfúgios perigosos à vida e à dignidade. Estou falando da imigraçao – a que se diz políticamente incorreta – ilegal. Seria muito discutível esse termo ilegal, se nos esquecéssemos um pouco das constituiçoes e nos lembrássemos mais dos direitos à vida – esse direito que se leva e que nao se necessita ver escrito em nenhuma lei.
Ainda estamos no inverno e já se tem notícias das "pateras", assim chamadas as precárias embarcaçoes que trazem centenas de marroquinos e subsahaarianos às costas espanholas. Essas entradas forçadas em terras européias sao muito comuns no verao, quando entao, o frio nao é um obstáculo a mais para homens, mulheres e crianças que literalmente se jogam ao mar. Muitos nao chegam vivos, sao trazidos pela maré e salpicam as praias da costa, já tao acostumada a tais cenas. Sao encontrados, vítimas de hipotermia, pela Cruz Vermelha, e os que ainda têm forças físicas, sao ajudados pela Imigraçao e encaminhados de volta de onde vieram.
Esta semana nao foi na costa espanhola que o noticiário foi buscar sua reportagem, e sim na América Central. Honduras, México e EUA. As circunstâncias e condiçoes que hondurenhos enfrentam para, através do território mexicano, chegarem aos EUA, sao impressionantes e inacreditáveis, senao suficientemente dramáticas.
Lembrei-me do ensaio fotográfico de Sebastiao Salgado sobre as Migraçoes Humanas e pensei nesse fenómeno como uma das grandes chagas dos últimos tempos. Consequência direta de fome e guerras.
A busca por vida tem várias caras, cuja viagem nem sempre se faz com passagem e vistos alfandegários. A necessidade, ou talvez a ilusao de que o "outro" será a soluçao, move a populaçao do planeta. Se pudéssemos observar tudo como um cientista observa suas bactérias através de um microscópio, veríamos corpos se dispersando pelo mundo-corpo-planeta. A famosa teoria de Gaia – a Terra como um grande organismo vivo – nos dá uma sensaçao aterradora.
Mas voltemos à ilusao do "outro". Se quiséssemos, poderíamos voltar no tempo há uns 500 anos e nos perguntar onde estavam os "passaportes visados" dos que desembarcavam em praias americanas. Mas nao vamos falar disso... Falemos do presente e da ilusao de que somente imigrar resolverá frustraçoes sociais.
Falemos da ilusao e da perda de tempo de países do Norte em planejarem estratégias que freiem a imigraçao seja ela qual for, ao invés de uma vez por todas,levarem em conta o organismo vivo que nos hospeda – a Terra – e ajudar com seus inestimáveis recursos econômicos a desenvolverem os, cada vez mais pobres, países do Sul.
E aí entao, poderíamos chamar esse deslocamento humano que hoje denominamos imigraçao, de simplesmente turismo!
Escrito por Sofia Bau às 17h54
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| 12/01/2005 |
Entrevista Es una sensación muy dolorosa. Es una sensación de pérdida. Dolorosa en el sentido de que lo que estaba en el presente pasó a estar en el pasado y durante mucho tiempo ese pasado te atrapa, te asalta, te cansa y uno tiene que tratar de construir un presente y, en ese sentido, hay que intentar no quedar colgada. Pero sí, todas las experiencias de separación son dolorosas porque implican una pérdida...
Ojalá me agarrara. La verdad que no me vendría nada mal que me agarrara un poco de escepticismo. Soy como una especie de optimista a ultranza, tengo una enorme capacidad de adaptación y tengo una enorme tendencia a pensar que lo mejor está por venir. Detesto el folclore de que todo tiempo pasado fue mejor. Aunque a veces me cuesta. No estaría nada mal si pudiese instalarme un rato en la melancolía, no tenerle tanto temor y no pasar por alto algunos estados que no son de optimismo, de alegría, de confianza... Pero me cuesta mucho sostenerme en esos estados.
Sí, del dolor se aprende. También se aprende de la alegría. No creo que el dolor sea el único maestro. Pero También hay otros seminarios para hacer. No creo que sea la única escuela. Creo que de la satisfacción, de la felicidad propia y de la felicidad ajena también se aprende mucho. No es tan difícil estar con alguien que está mal, porque a todos nos gusta hacer el papel de buenos, de solidarios con la infelicidad ajena. Es más difícil poder bancarse el éxito ajeno, la felicidad ajena, porque te conecta con tu propia felicidad, y ahí tenés que ver, si vos estás tranquila con eso o no.
Mercedes Morán, atriz de 48 anos, do alto de sua majestosa beleza, em entrevista ao jornal argentino Clarin.com.
Escrito por Luiz às 18h35
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Soltaram Pinochet Aconteceu hoje à tarde.
Escrito por Luiz às 17h57
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| 11/01/2005 |
Efemérides, efemérides
"Todas as coisas humanas têm dois aspectos... para dizer a verdade todo este mundo não é senão uma sombra e uma aparência; mas esta grande e interminável comédia não pode representar-se de um outro modo. Tudo na vida é tão obscuro, tão diverso, tão oposto, que não podemos nos assegurar de nenhuma verdade." Erasmo – Elogio da Loucura, 150
Como eu já escrevi aqui uma vez, não sou dado a comentar efemérides. Mas essa é difícil deixar passar. Este ano completam-se os 300 anos da conclusão da primeira parte de um livro fabuloso. Tão fabuloso que se tornou parte do que alguns ousam chamar de realidade. Tão fabuloso que deixou de ser um livro e se tornou, de certa maneira, num conjunto de princípios dolorosos e altivos - e já tão distantes que mesmo a pronúncia desses princípios soa estranha, porque remota.
Neste ano o mundo comemora os 300 anos da primeira publicação de "O Engenhoso Nobre Don Quixote de La Macha", monumento literário de 126 capítulos escrito por Miguel de Cervantes y Saavedra (1547-1616) quando esteve preso - Cervantes era soldado mas acabou se tornando escrito, para a história.
A Europa e o mundo latino, principalmente, deverão produzir uma penca de palestras, homenagens, estudos, seminários... reportagens moderninhas.
Hoje o livro de Cervantes é lembrado como o melhor livro do mundo (título conferido em 2002) na lógica segundo a qual tudo é classificável, rotulável. A mesma necessidade lógica (?) que retira o brilho e iguala na mediocridade a criação da vida pelo drama, pelo trágico, pela comédia. A mesma necessidade lógica de estabelecer normas e padrões ao inusitado, à sutileza, à diferença, ao que é único e inclassificável...
Escrito por Luiz às 15h20
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| 10/01/2005 |
Rápidas Alguma coisa fora da ordem A BCP Securites, uma empresa de investimentos na América Latina afirma em estudo que o Produto Interno Bruto da América Latina cresceu 4,9% em 2004. As exportações da região cresceram 20%. As previsões para 2005 feitas pelo banco de investimentos prevê crescimento regional de 2,4% e uma inflação de 5,3%. A BCP ainda estima que, por causa das eleições em sete das oito maiores economias da região – deve haver aumento dos gastos públicos e aquecimento da economia.
17% A Federação Latinoamericana de Periodismo informa que 17% dos jornalistas assassinados em 2004 em todo o mundo são da América Latina. Isso é muito ou é pouco?
La izquierda peruana ante el alzamiento de Andahuaylas Interessante entrevista dada por Hugo Blanco, líder guerrilheiro peruano e Javier Diez Canseco presidente do Partido Democrático Descentralista, sobre o movimento recente naquele país em que uma delegacia de polícia foi tomada por um grupo de militares comandada por um dos que havia tentado derrubar o então presidente Alberto Fujimori. Os dois dão um panorama geral da situação específica dos movimentos liberais no Peru. E revelam a forma pela qual as esquerdas foram sufocadas pelo terrorismo de estado de Fujimori e a ação não menos terrorista do Sendero Luminoso. Leia aqui.
“No momento, Argentina é o nome de uma insatisfação coletiva” Entenda o ponto de vista do intelectual argentino Christian Ferrer nessa entrevista.
Escrito por Luiz às 21h46
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Terra sem história (I)
É um tanto precário comentar um texto clássico como os escritos de Euclides da Cunha em primeira leitura como estou fazendo, mas o objetivo aqui é compartilhar mesmo essas primeiras impressões.
Muitos leitores pulam as longas e exaustivas descrições geográficas de Euclides, mas eu não recomendo essa pressa. Ao contrário, considero esse esmero na apresentação das paisagens uma das possíveis chaves para compreender seus trabalhos. Como ele interpreta o homem a partir da influência que ele sofre do meio, suas descrições geográficas são também uma interpretação do homem.
Além disso, seu estilo é um atrativo a mais. Vejam esse trecho onde comenta a fluidez das margens do rio Amazonas: "Os litorais do Amazonas mal lhe definem a calha desmedida. São margens que evitam o rio."
Sua narrativa não se perde na tentadora exuberância da natureza da floresta e dos rios amazônicos, ele denucia duramente as perversas condições a que os serigueiros são submetidos: "O seringueiro realiza uma tremenda anomalia: é o homem que trabalha para escravizar-se." Ainda, "Os 'regulamentos' dos seringais são a este propósito dolorosamente expressivos. Lendo-os vê-se o renascer de um feudalismo acalcanhado e bronco."
Conclui sua denûncia alertando pioneiramente para a urgência da intervenção do estado brasileiro por meio de leis trabalhistas: "Dela ressalta impressionadoramente a urgência de medidas que salvem a sociedade obscura e abandonada: uma lei do trabalho que nobilite o esforço do homem; uma justiça austera que lhe cerceie os desmandos; e uma forma qualquer de homestead que o consorcie definitivamente à terra."
Escrito por Cláudio Machado às 20h43
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Dize-me com quem andas que eu te direi quem és Como eu havia prometido, as mudanças que vão permitir as mudanças no conteúdo estãofinalmente terminadas: o novo colaborador do blog é Sofia Bau, brasileira que mora na Espanha e estuda literatura. Vou deixar para Sofia se apresentar, quando começar a postar por esses dias.
Transformar o Soy Loco por Ti num blog comunitário é sim um risco porque eu gosto de escrever o que venho escrevendo, porque acredito que eu Sofia e Cláudio temos pontos de vista diferentes, porque teoricamente o blog vai indo bem assim do jeito que está. Mas Deus me livre de um dia ter a vergonha de me acomodar. E de mais a mais, eu tenho boa intuição.
Sejam bem vindos Cláudio e Sofia. Gracias.
Escrito por Luiz às 18h22
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| 06/01/2005 |
Existe, mas você não consegue provar "Passei duas décadas de minha vida profissional estudando as relações entre homens e mulheres. Documentei fenômenos que vão de o que homens e mulheres desejam de seus parceiros às mais diabólicas formas de traição sexual. Descobri as maneiras as mais criativas pelas quais homens e mulheres enganam e manipulam umas às outras. [...] Mas através desta exploração das dimensões escuras dos relacionamentos humanos, permaneci fiel à minha crença no amor verdadeiro.
Amor é comum, mas amor verdadeiro é raro, e creio que poucas pessoas têm a sorte de encontrá-lo. O caminho do amor corriqueiro é conhecido e suas pistas são bem compreendidas pela maioria das pessoas – a atração abobalhada, a obsessão, o torpor após o sexo, auto-sacrifício e o desejo de combinar DNA. Mas amor verdadeiro toma seu próprio caminho em território desconhecido. É difícil de definir, engana as maneiras modernas de medição e parece, do ponto de vista científico, uma bobagem. Mas sei que amor verdadeiro existe. Só não posso provar."
David Buss, psicólogo da Universidade do Texas. Sobre o amor verdadeiro.
O Edge.org perguntou a vários especialistas o que eles sabiam que existia mas não coseguiam provar. Mais, aqui.
Escrito por Luiz às 13h22
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¿Qué le parece el arresto domiciliario de Pinochet?
BAH??
¿SESIÓN DE PELAMBRES DE LAS VIEJAS CHICAS DE IZQUIERDA? Manolo, Santiago, Chile
Ahora el cerdo subcortical debera estar confinado a su chiquero, rodeado de los pungas de sus familiares. (que me perdonen los chanchitos del huaso lucho, no se vayan a ofender ya que ellos son chanchos, pero decentes).
DanyDan, Quillota, Chile
Además, Raimundo, al "conchito" se le quema el arroz, se le quiebran los fósforos y se le pegan los tallarines. Como que sigue soltera, la tonta...
Y el sobrino nieto, Gonzalo Townsend Ruiz-Tagle, acaba de ser arrestado por narcotráfico. ¡Qué familión!
Serafin, Santiago, Chile
Arresto, como dice la pregunta, se aplica por ejemplo al que no paga una multa o una pensión alimenticia. Si paga, se le suelta. Así que el innombrable no está arrestado, como me lo enseña mi amigo abogado caperuzo. sino sometido a prisión preventiva mientras se le procesa. Tal vez los jueces, si no lo consideran un peligro para la sociedad, le darán la libertad provisional, pero previo pago de una fianza. Cuando el Pablo H la pida espero que le saquen una foto en colores para que veamos como el color que más detesta, el rojo, no se lo sacará de la cara ni con "percloroetileno" (líquido que mezclado con harta bencina también sirve para quemar personas). Despues de escuchar anoche a la chanchita mecenas, que promovía el arte en su tiempo cuando agarraba las platitas de los seguros estatales, lamentándose que los bancos le han cerrado las cuentas a todos los miembros de esa pandilla familiar, la fianza tendrán que pagarla vendiendo las joyitas que ciertas viejujas le "aportaron" 30 años atrás.
Raimundo, santiago, Chile
La Herencia y la Genetica.
Dentro de su imbecilidad, Pin Ocheque sabe que todos sus hijos son una plasta.
Idiotas, ladrones, estafadores, promiscuos, drogadictos.
Para lograr que el fruto incalculado de sus robos no sea consumido en drogas y cafiches ha dispuesto que su herencia la reciban sus nietos.
Torpe decision, por las ultimas noticias el primer Pinochet mas o menos normal aparecerá con el quinto cruce generacional.
Hugo_Zenteno, Curanilahue, Chile
La verdad es que siempre he sido contrario a Pinochet y no me sorprende lo resuelto por la justicia, los chilenos siempre supimos que era un asesino, lo que no sabíamos es que además era un ladrón más de esos que proliferaron en nuestra América Latina. Tal vez lo que más me ha sorprendido durante estos años es la vergonzosa cobardía que ha demostrado, bastante impropia de una historia patria repleta de gestas heroicas que constituían nuestro orgullo y que aprendimos desde niños en el colegio, la última de ellas fue la épica resistencia de Salvador Allende, más allá de que se este o no de acuerdo con sus ideas.
Pedro., Santiago, Chile
O La Nacion, jornal do Chile abriu um forum de discussão para que os leitores dessem suas opiniões sobre a prisão domiciliar do general Augusto Pinochet. Acima, alguns dos posts feitos lá. Mais, aqui.
Escrito por Luiz às 12h38
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Do túnel do tempo "Países coloniais e semicoloniais (China, Índia, etc.) e países dependentes (Argentina, Brasil e outros) que possuem um embrião de indústria, às vezes mesmo uma indústria desenvolvida, insuficiente, na maioria dos casos para a edificação independente do socialismo; países onde predominam relações sociais da Idade Média feudal ou o "modo asiático de produção" tanto na vida econômica, como na sua super-estrutura política; países enfim onde as principais empresas industriais, comerciais, bancárias, os principais meios de transporte, as maiores propriedades, as maiores plantações, etc. se acham nas mãoes de grupos imperialistas estrangeiros. A luta contra o feudalismo e contra as formas pré-capitalistas de exploração e revolução agrária promovida com espírito de continuidade, de um lado; a luta contra o imperialismo estrangeiro, pela independência nacional, doutro lado, têm aqui uma importância primordial. A passagem à ditadura do proletariado não é possível nesses países, em regra geral, senão através de uma série de etapas preparatórias, por todo um período de desenvolvimento de revolução democrático-burguesa em revolução socialista; o sucesso da edificação socialista é, na maioria dos casos, condicionado pelo apoio direto dos países de ditadura proletária."
O texto acima faz parte do Programa da Internacional Comunista adotado pelo VI Congresso Mundial, que aconteceu em Moscou no ano de 1928. Durante anos, na verdade, até bem recentemente, a idéia de uma revolução brasileira e sulamericana passava pela necessidade de destruição de uma suposta realidade feudal e semifeudal que existiria nesses países.
O primeiro a fazer uma crítica a esse projeto revolucionário foi Caio Prado Júnior, e pagou caro por isso. Os pensadores de esquerda e os menos pensadores também de esquerda excluíram Caio Prado do debate. A crítica do homem tem me remetido aos dias atuais, por incrível que pareça. Logo esses dias em que a idéia de revolução nunca pareceu tão anacrônica, ou fora de moda.
Fico pensado como vamos ver nossos sonhos passados, daqui a 15, 20 anos. A revolução era um sonho também de Caio Prado, e na verdade esse sonho era o da possibilidade de se alcançar a igualdade social, em cujo processo as diferenças materiais,a própria luta política e a necessidade de um Estado se extinguiria, com a implantação vitoriosa de um regime novo de produção.
Hoje, quando essa expectativa parece não se aplicar mais, nossos sonhos - eventualmente revolucionários - parece que se inscrevem num círculo de utopia mais simples, menos abrangente. O que é, para alguns, uma forma de admitir um derrota histórica. Mas nem vou entrar nesse mérito. Fica para outro post, noutro dia. Por enquanto me pergunto qual o futuro desses nossos sonhos simples de hoje e de como vamos olhar pra eles daqui a uns anos.
Imaginar a necessidade de uma superação do sistema feudal no Brasil parece hoje constrangedor erro de gente admirável e excepcional daqueles dias. Mas parecia o sonho mais gostoso e possível de se ter. Será sempre assim?
Escrito por Luiz às 12h07
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| 05/01/2005 |
Pílula diária de Humor (tirado desse blog)

Escrito por Luiz às 16h44
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Hoje eu armo minha árvore de Natal
Hoje é o dia de Santo Reis Ando meio esquecido Mas é o dia da festa de Santo Reis Eles chegam tocando sanfona e violão Os pandeiros de fitas Carregam sempre na mão Eles vão levando Levando o que podem Sem deixar com eles Eles levam até os bodes bodes da gente E os bodes, né Hoje é o dia de Santo Reis
O dia certo é amanhã, dia de desarmar a árvore, guardar os penduricalhos, encaixotar o último vestígio do ano velho e visitar diariamente o ano novo. Dessa vez não consegui tempo pra armar minha árvore. Ainda há tempo, de hoje pra amanhã. Sempre há.
Escrito por Luiz às 16h41
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| 04/01/2005 |
Já era uma vez Por Paulo Leminski
Era uma vez uma história bem pobrezinha, tão pobrezinha que não tinha personagens, não tinha começo, não tinha meio, não tinha fim, nem enredo ela tinha. E para que serve uma história sem enredo?
A pobre da nossa história andava por aí pedindo:
- Um enredo, pelo amor de Deus!
Mas ninguém dá a mínima atenção a uma história sem enredo.
E a historinha sem enredo passava por grandes histórias, cada uma mais orgulhosa do seu enredo.
Uma era a história de um cavaleiro de armadura que atacava até moinhos de vento.
A historinha olhava e dizia:
- Puxa!, isso é que é enredo. Quem dera eu tivesse um enredo assim!
Outra era a história de um médico que virava monstro e de um monstro que virava médico. Tinha também a história de um rei que tinha uma távola redonda. Todas as histórias tinham enredo, menos a nossa.
Um dia, nossa história decidiu, “vou sair pelo mundo e vou encontrar um enredo, custe o que custar”.
Assim, nossa história correu mundo, conheceu todos os lugares, viu cidades imensas, ouviu a queixa das pessoas, o som das trombetas e o barulho dos cascos dos cavalos do rei. Viu bandidos serem enforcados, foi presa, foi solta, foi presa de novo, fugiu.
Assim, os anos se passaram, e assim a nossa história voltou ao ponto de partida. Agora, já era uma velha história, uma história que os pescadores contavam nas noites de lua, as velhas contavam para as crianças dormir, e as pessoas sonhavam quando queriam esquecer da vida.
Um dia, nossa história estava para morrer. Então, ela reuniu em sua volta todas as pequenas anedotas da vizinhança, os episódios mínimos e as piadas sujas e disse:
- Meus amores, antes de partir tenho uma coisa muito importante para contar a vocês, que vão alegrar os homens, fazer as mulheres chorarem e apavorar as crianças.
Já era quase nada, quando conseguiu dizer:
- Era uma vez uma história bem pobrezinha, tão pobrezinha que não tinha personagens, não tinha começo, não tinha meio, não tinha fim, nem enredo ela tinha.
E morreu dizendo:
- Para que serve uma história sem enredo? (FIM)
Eu quero uma história pra contar.
Escrito por Luiz às 16h44
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Ridículos tiranos
A primeira quartelada do ano já acabou. Nessa madrugada o líder do Movimento Etnocacerista, Antauro Humala, um dos que tentou destituir Alberto Fujimori, foi preso.Ele comandava uma força de 280 rebeldes e tomou o posto policial na cidade de Andahuaylas, no Peru.
Humala exigia que o presidente Alejando Toledo renunciasse e fosse convocado uma assembléia constituinte. Como relata o Peru 21.com, o revoltado foi preso no momento em que negociava as condições de rendição.
Escrito por Luiz às 12h04
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| 03/01/2005 |
Amigos Mais dois links na lista dos amigos: No meio da pedra tinha o caminho, de Cynthia e Colchas de Retalhos, de Flávia Faccini. Benvindas à Blogsfera.
Escrito por Luiz às 18h09
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El nombre del hombre Pra quem chegou agora e se assustou ao ver um post que não é assinado por Luiz: Cláudio Machado é o mais novo colaborador desse blog. Amigo querido, escreve de Brasília onde mora e tem muita coisa pra contribuir. Seja bem vindo, compadre.
Gracias.
Escrito por Luiz às 16h16
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Começo do caminhar
É a primeira vez que escrevo em um BLOG. Obrigado pela oportunidade, Luiz!
Quando conversei com o Luiz e recebi o convite para colaborar no "Soy loco por ti" topei na hora, mas alertei que iria usar da liberdade de escrever sobre qualquer assunto de verdade. Vamos lá!
Infelizmente constato em meu balanço de leituras que em 2004 não li nenhum livro que realmente tenha me impressionado. Começo 2005 com muitos planos, no primeiro dia do ano encomendei "À Margem da História", de Euclides da Cunha.

O sucesso d"Os Sertões" tornou Euclides conhecido como autor de uma única obra, mas ele nos deixou também outros textos muito importantes, publicados após sua morte prematura. Em 1904, ele chefiou a Comissão Mista Brasileiro-Peruana de Reconhecimento do Alto Purus à convite do Barão de Rio Branco. Durante a missão pôde constatar a condição de escravidão em que viviam os trabalhadores dos seringuais e planejou escrever um livro intitulado "Paraíso Perdido".
Além dos textos sobre a amazônia esta reunião de textos de Euclides traz também um ensaio sobre o nascimento da República. Vale destacar que ele próprio foi um grande ativista do movimento e que após sua decepção com os rumos que a República Brasileira tomou escreveu suas principais obras.
"Seu nacionalismo mais se prende à preocupação do bem comum e da denúncia das estruturas desequilibradas de nossa sociedade. Já de algum tempo era sua intenção escrever um "segundo livro vingador". Deveria referir-se à Amazônia, acusando os descasos pela terra e o desprezo pelo homem.", Oswaldo Galotti.
Pretendo escreve algumas notas sobre essa leitura de Euclides, para começar nossa conversa blogueira.
À Margem da História - Euclides da Cunha (Versão On-line)
Escrito por Cláudio Machado às 15h05
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| 02/01/2005 |
Pílula diária de humor

Escrito por Luiz às 17h07
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Destape
Em 2005 o Brasil completará 20 anos de regime democrático depois do período de exceção estabelecido pelo golpe de 1º de abril de 1964. Há 20 anos o País tem gerido, criado, adaptado e eventualmente modificado a estrutura política que determina ou não uma democracia. Somos, sim, do ponto de vista institucional, uma democracia porque temos eleições diretas em períodos regulares e o acesso ao voto é universal. Mas isso não basta, como mostra o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos.
A efeméride deveria servir para refletirmos sobre o que funciona em nossa democracia. O Chile, no ano passado, deu um exemplo de como desenterrar os mortos, dar-lhes nome e apontar culpados de suas mortes para, democraticamente, julgar. Coisa que nem o regime brasileiro, nem a gerência petista da banca conseguiu por aqui.
Em 2004 o Chile colocou em atividade a primeira investigação em 30 anos sobre mais de 35 mil casos de tortura, ocorridos durante o período do governo ditatoria do general Augusto Pinochet. E ainda mais: a Suprema Corte Chilena invalidou a lei de anistia que impedia a investigação dos desaparecimentos de presos políticos durante esses anos.
O exército, na figura de seu comandante em chefe, Juan Emílio Cheyre, reconheceu sua responsabilidade nos casos de violação dos direitos humanos durante aquele período. Coisa bem diferente da postura tomada pelo exército brasileiro em 2004, que emitiu uma nota em que revela que alguma coisa de muito podre ainda ronda os porões das casernas.
Contas bancárias de Augusto Pinochet foram identificadas dentro de uma investigação para achar resultados de corrupção e lavagem de dinheiro nopaís. Resultado: foram encontrados US$ 16,1 milhões em contas bancárias no nome de Pinochet nos Estados Unidos como resultado de procedimentos de lavagem praticados entre os anos de 1994 e 2000.
E perto do finalzinho do ano, como reflexo da anulação daquela lei de anistia, a justiça chilema determinou que Pinochet fosse preso em casa (prisão domiciliar) e embora a decisão tenha sido revogada, não vai demorar para que ela seja tomada de forma definitiva. Os chilenos dizem que tiveram um ano de libertação, ou destape.
O Brasil precisa de um ano de destape.
Escrito por Luiz às 15h40
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| 01/01/2005 |
Literatura digestiva A pérola desse título foi sugerida num papo bem alcóolico, no meio da cozinha desse apartamente da rua Nunes machado, Soledade, bairro médio da cidade do Recife: É aquilo que Diogo Mainardi produziu em 2004, e que serve e ajuda a se desfazer dos momengos difíceis vividos no banheiro. Mais: nada, num caso e noutro, fica para a posteridade.
Escrito por Luiz às 01h21
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