 |
| 31/01/2005 |
Uma Porta para a Cidade
O inspirado texto de Burkhard Brunn – Der Hauptbahnhof wird Stadttor (Ed. Anabas, 1992, “A estação central torna-se porta da cidade”) – faz com que nos lembremos das características semelhantes da antiga estação de trem central com a acolhedora porta da cidade na Idade Média. Monumento que na maioria das vezes era projetado por artistas excepcionais como Michelangelo e possuíam as insígnias da cidade como adornos inconfundíveis, a porta de entrada de uma cidade e sua praça ao redor, era o local onde o forasteiro captava a primeira impressão do lugar, tomando conhecimento de seus habitantes, locais para hospedagem, diversão, enfim, a mais legítima recepção a quem vem de fora.
As grandes estações do século XIX, concebidas para substituir as portas da cidade medieval, eram muitas vezes construídas no mesmo lugar, mantendo os mesmos variados serviços ao viajante de fora.
É após a segunda guerra mundial, com o aumento do número de automóveis, que o trem é posto de lado envolto a uma atmosfera de desprezo por representar um meio de transporte coletivo. Os anéis viários de pistas rodoviárias tomaram hoje todo o espaço ao redor da estação, de forma que o viajante que chega, penetra na cidade muitas vezes por meios indiretos, numa atmosfera que em nada lembra o glamour das antigas grandes estações, muitas vezes construídas com aparência de palacetes para causar uma boa impressão aos recém-chegados.
Hoje, ao redor das estações, o que se vê, nas palavras de Burkhard Brunn, é a decadência dessas outrora “catedrais do progresso”. O bairro da estação empobreceu e apresenta-se marcado pela pornografia, criminalidade e prostituição.
Novas políticas de trânsito, frente às crises da atualidade ligadas ao petróleo e a problemas ecológicos, já visualizam o grande potencial das estações centrais. Centros europeus empenham-se numa revalorização da estação central histórica de uma cidade, que poderá levar a grandes mudanças na qualidade de vida de seus habitantes e visitantes. A função de trânsito desses centros mostra-se de importância fundamental para a constituição da vida pública, e é nesse espaço, catalisador de emoções e lembranças, que a identidade da cidade tem início, e segue por contribuir à identificação de seus habitantes.
Escrito por Sofia Bau às 19h33
[]
[envie esta mensagem]
|
| 28/01/2005 |
Coisa mais linda do pai

Escrito por Luiz às 18h35
[]
[envie esta mensagem]
|
|
Vista-se de branco, vista-se de preto

Durante um bom tempo eu não sabia explicar porque nutria aversão por esses movimentos em que todo mundo se veste de branco pra pedir a paz, o fim da violência, dos tiros perdidos, dos seqüestros e de outros crimes que tanto amedrontam a classe média. Sabia que tinha alguma coisa errada e falsa nessas passeatas e só comecei a perceber quando me dei conta que não era todo mundo que tava ali, parece óbvio (e é mesmo). Mas esses movimentos tentam e vão tentar sempre convencer a sociedade inteira de que as reivindicações "camisinha branca" são de toda a sociedade, quando não são.
O que retira a legitimidade desses movimentos é justamente o vazio político deles. Não há como você evitar que um garoto de 15 anos dê um tiro num adulto, que passeia à tarde por causa dum tênis, através de passeatas, vestindo branco, empunhando faixas. Essa reivindicação não é da sociedade inteira, porque esse movimentos simplesmente não representam o que a população inteira precisa: democratização do acesso a renda e educação, moradia, saúde.
Na minha opinião esses movimentos são prejudiciais. Justamente porque esvaziam um assunto que é, em essência, político e cultural. Melhor vestir preto.
Escrito por Luiz às 12h43
[]
[envie esta mensagem]
|
|
the horizon has been defeated the horizon has been defeated by the pirates of the new age alien casinos well maybe it's just time to say things can go bad and make you want to run away but as we grow older the troubles just seems to stay
future complications in the strings between the cans but no prints can come from fingers if machines become our hands and then our feet become the wheels and then the wheels become the cars and then the rigs begin to drill until the drilling goes too far
things can go bad and make you want to run away but as we grow older the horizon begins to fade away
the thingamajigs are buzzing anger don't you step too close because people are lonely and only animals with fancy shoes hallelujah zig zag nothing misery it's on the loose because people are lonely and only animals with too many tools that can build all the junk that we sell sometimes it makes you want to yell
things can go bad and make you want to run away but as we grow older the horizon begins to fade away (Jack Johnson)
Escrito por Luiz às 00h17
[]
[envie esta mensagem]
|
| 27/01/2005 |
O fórum concreto e o fórum abstrato O Fórum Social Mundial de Porto Alegre começou como uma paródia birrenta da reunião dos ricos e poderosos em Davos. Uma malcriação, uma inconseqüência de crianças. Pelo menos foi assim que a nossa grande imprensa o viu, no inicio. Lembro do próprio ombundsman da "Folha de São Paulo" estranhando o desdém com que o jornal tratava o Fórum, apesar das questões e dos nomes importantes trazidos a Porto Alegre já nas suas primeiras edições.
O pouco espaço dado ao evento na imprensa nacional se concentrava no folclórico e no espetaculoso - enfim, nas criancices. A repercussão internacional do Fórum e a sua própria expansão de ano para ano, e a crescente evidência de que a saúde e a sanidade do planeta dependem de se encontrar alternativas para o conchavo de Davos que certamente não sairão de Davos, acabaram aos poucos com o desprezo da grande mídia.
Que continua neoliberal de coração mas, ultimamente, disposta a examinar opções. Uma extensa cobertura jornalística do atual Fórum começou antes mesmo do Fórum. Os maiores jornais nacionais estão dedicando páginas inteiras ao Fórum, diariamente. Inclusive a "Folha". Nunca "inconseqüentes" tiveram tanta atenção.
Mas persiste a idéia de que em Davos se reúne gente grande e aqui menores chorões. Lá pessoas sérias tratando da realidade do mundo, aqui idealistas ingênuos e bagunceiros atrás de utopias ultrapassadas ou do caos. Lá questões concretas, aqui abstrações sortidas levando a nada. Mas sabe qual vai ser o assunto dominante nos escaninhos de Davos, mesmo que não conste dos debates oficiais?
O déficit americano agravado pela guerra e o efeito arrasador do seu financiamento sobre as economias e o equilíbrio cambial de todo o mundo. Ou sobre o futuro imediato de um capitalismo refém da mais etérea abstração de todas, a do custo arbitrário de um dinheiro que nunca desce à terra. Enquanto isto, em Porto Alegre se estará discutindo, entre algumas criancices, o uso do chão, a boa manutenção do planeta, a preservação da água e a justa distribuição do pão. E a realidade mais concreta de todas: a vida humana, como protegê-la e como dignificá-la. Porto Alegre, dez a zero.
O texto acima é a coluna que Luis Fernando Veríssimo publica nesta quarta, 27 de janeiro. A idéia de um mundo melhor parece uma utopia irresponsável ou uma brincadeira. Principalmente se a ótica utilizada para refletir sobre esse mundo atual não ultrapassa o horizonte visto pela grande mídia. É necessário ultrapassar a forma como os jornais e os jornalista vêem, em sua maioria, um encontro como o Fórum e os ideais que o motivam. Se não, para melhorar o mundo, pelo menos para conhecê-lo melhor.
Escrito por Luiz às 14h34
[]
[envie esta mensagem]
|
| 24/01/2005 |
Fórum Social Mundial 2005 A quinta edição do Fórum Social Mundial começa nessa quarta-feira, dia 26 de janeiro em uma encruzilhada. O encontro volta a Porto Alegre onde aconteceu pela primeira vez, em 2001. As críticas mais fortes ao futuro do FSM vêm de dentro dos movimentos socias e das linhas de pensamento de esquerda contemporãneas.
O foco das críticas é mais ou menos o mesmo. O que diferencia um do outro é o discurso e os objetivos. É que o FSM não é um movimento político. Desde o início ele se propõs a ser um espaço de discussão e articulação de movimentos contra o neo-liberalismo e a globalização. As críticas de hoje pedem que o FSM supere essa fase e passe para articulação de ordem prática. Ou seja, que se coloque um pouco de política no caldo.
Há basicamente três linhas de críticas ao funcionamento e objetivos do Fórum. Um deles é formado por forças de centro que criticam a falta de praticidade em suas atividades. Essas forças propõem, por exemplo, que o FSM acione uma linha de discussão com o Fórum Econômico Mundial, com a OMC, o Banco Mundial, o FMI sobre problemas atuais como a AIDS, fome, desenvolvimento sustentável, etc.
Uma segunda linha de crítica é originária de partidos e sindicatos de esquerda de inspiração leninista. E por isso reivindica um discurso do FSM na direção de uma proposta de socialismo mundial prática; propõe que o Fórum não receba dinheiro de ONGs nem de governos (para não se vender); protesta contra a não participação de partidos políticos e de grupos ligados a ações de cunho político mas violento - argumentam com isso que ações violentas às vezes sao necessárias na condução de um processo político rumo ao socialismo.
Diluído nessas duas linhas críticas há uma insatisfação com as decisões tomadas pelo FSM - que em muitos casos são tidas como autoritárias. Uma linha de pensadores anarquistas por exemplo afirma que o FSM já tem estrutura para ser uma nova Internacional (Socialista) e que deveria assumir isso.
A terceira linha de críticas (interna) mistura um pouco as duas anteriores e evidencia a necessidade de se fazer propostas políticas concretas no sentido de igualdade social, distribuição de renda, educação, reforma agrária e política, direitos humanos, entre outras bandeiras.
O encontro desse ano é muito importante e pode definir o futuro do FSM. O Soy Loco por Ti vai tentar acompanhar o noticiário sobre o evento, comentando-o aqui. Conto com a colaboração de quem se interessar pelo assunto para me enviar para o email lula.pinto@gmail.com notícias sobre o assunto.
Gracias.
Escrito por Luiz às 15h31
[]
[envie esta mensagem]
|
| 23/01/2005 |
Teoria da conspiração uma ova O Pentágono tem uma agência de espionagem clandestina. Depois dizem que eu é que vivo fazendo teoria da conspiração. Via Washington Post.
Escrito por Luiz às 18h27
[]
[envie esta mensagem]
|
|
23 Para um Amor no Recife Paulinho da Viola
A razão porque mando um sorriso E não corro É que andei levando a vida Quase morto Quero fechar a ferida Quero estancar o sangue E sepultar bem longe O que restou da camisa Colorida que cobria minha dor Meu amor eu não esqueço Não se esqueça por favor Que eu voltarei depressa Tão logo a noite acabe Tão logo esse tempo passe Para beijar você
Escrito por Luiz às 16h03
[]
[envie esta mensagem]
|
|
Dia desses lembrei de uma história muito bonita sobre vinhos, desejos e sonhos. Eu esqueci um bom pedaço e minha memória roubou trechos de outras histórias para compor o que vocês vão ver aí embaixo. Semelhanças com outras histórias e fábulas não são meras coincidências, portanto.
Sobre vinhos e vida Diziam há muito tempo que os sonhos que ainda não haviam nascido e os sonhos já velhos e aposentados tinham um grande desejo em comum. Eles cortejavam o sonho de serem um vinho. Perceba que o sonho de um sonho é o equivalente à dúvida comum das crianças em saber, em certos momentos, se estão sonhando ou acordadas, o que também equivale a se perguntar se suas vidas é um sonho sonhado pela matéria. (Isso rende um texto mais complicado, que eu deixo pra outro post, noutro dia).
O certo é que sonhos não nascidos e os jovens - ainda maturando -, e sonhos antigos, depurados, acalentavam a dúvida de que tipo de vinho seriam se pudesse escolher. É fácil entender esse desejo. Durante séculos o mundo do sonho foi visitado por milhares de povos embriagados por um líquido a que os próprios deuses preferiam. E o próprio delírio sempre foi um dos deuses admirados por jovens e velhos sonhos. Somente na fase adulta, a cinza fase adulta eu que os sonhos esqueciam de sonhar, é que o desejo da embriaguez por vinho ficava esquecido nas gavetas por causa do enorme trabalho para manter o dia a dia.
O desejo dos jovens sonhos era intuitivo. O dos mais velhos era resignado. Os sonhos mais jovens pensavam em se transformar em vinhos como uma forma de negar sua própria natureza e, assim, se libertar. Os mais velhos pensavam que poderiam em algum momento ter criado tanino entre os dedos como uma forma de reafirmar sua natureza e assim, ... se libertar.
Os jovens não sabiam, mas sonhavam em ser vinhos secos. E nas noites em que sonhavam que se transformavam em vinhos, os mais velhos acordavam com a boca dilacerada pelo gosto seco do tanino de pH baixo e reviravam os dias da memória em que se transformar em um bom vinho desse tipo revigorava o dia de trabalho como uma paixão na base do peito.
Os sonhos mais velhos, com o tempo e a depuração, perceberam que há uma gradação quase infinita de tipos de vinhos - aroma, coloração, tipo da uva, pH do solo, temperatura, clima, água, engarrafamento e o próprio tempo temperam o vinho com uma variedade de sabores que jamais foi experimentada por nenhum sonho. De certa maneira, os sonhos talvez invejassem o delírio, que não é exatamente um deus bom - mas a força para pôr os homens a perder na vasta seara de desejos inconcebíveis, dos prazeres frívolos e da loucura sempre foi algo incalcançável aos sonhos.
Outra variedade seduzia os sonhos: a da própria embriaguez. Porque há os que se embriagam por amor e estes sonham em azul. Há os que se embriagam por raiva, que é o nome de uma necessidade; há os que se embriagam por desamor ou para criar; há os que se embriagam por hábito e compulsão; os que só amam embriagados e o que embriagados amam melhor. Assim como há os que só fazem a guerra ou toleram o fim do dia se embriagados. Essa outra variedade também coloria de desejo a alma de cada sonho antigo e de ansiedade a retina de cada sonho jovem.
Quando eles perceberam que essas gradações existem, percebeu-se também que experimentar um vinho ou querer ser um vinho já não era um sonho de um sonho, mas algo mais perigoso: era um desejo humano.
Desejo que somente a alguns amantes é permitado experimentar: "se você fosse um vinho, que vinho seria?". Nunca se resolveu esse caso no mundo dos sonhos e desde que eles perceberam isso, passaram a conviver com o risco de acordarem embriagadamente humanos de um dia para o outro.
Essa historinha termina com outra pergunta: o seu melhor sonho sonha em ser que tipo de vinho?
Só para não perder o hábito:
Alcoólicas (Hilda Hilst)
I É crua a vida. Alça de tripa e metal. Nela despenco: pedra mórula ferida. É crua e dura a vida. Como um naco de víbora. Como-a no livor da língua Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me No estreito-pouco Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida Tua unha plúmbea, meu casaco rosso. E perambulamos de coturno pela rua Rubras, góticas, altas de corpo e copos. A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos. E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima Olho d’água, bebida. A vida é líquida.
II Também são cruas e duras as palavras e as caras Antes de nos sentarmos à mesa, tu e eu, Vida Diante do coruscante ouro da bebida. Aos poucos Vão se fazendo remansos, lentilhas d’água, diamantes Sobre os insultos do passado e do agora. Aos poucos Somos duas senhoras, encharcadas de riso, rosadas De um amora, um que entrevi no teu hálito, amigo Quando me permitiste o paraíso. O sinistro das horas Vai se fazendo tempo de conquista. Langor e sofrimento Vão se fazendo olvido. Depois deitadas, a morte É um rei que nos visita e nos cobre de mirra. Sussurras: ah, a vida é líquida.
III Alturas, tiras, subo-as, recorto-as E pairamos as duas, eu e a Vida No carmim da borrasca. Embriagadas Mergulhamos nítidas num borraçal que coaxa. Que estilosa galhofa. Que desempenados Serafins. Nós duas nos vapores Lobotômicas líricas, e a gaivagem se transforma em galarim, e é translúcida A lama e é extremoso o Nada. Descasco o dementado cotidiano E seu rito pastoso de parábolas. Pacientes, canonisas, muito bem-educadas Aguardamos o tépido poente, o copo, a casa.
Ah, o todo se dignifica quando a vida é líquida
V Te amo, Vida, líquida esteira onde me deito Romã baba alcaçuz, teu trançado rosado Salpicado de negro, de doçuras e iras. Te amo, Líquida, descendo escorrida Pela víscera, e assim esquecendo Fomes País O riso solto A dentadura etérea Bola Miséria. Bebendo, Vida, invento casa, comida E um Mais que se agiganta, um Mais Conquistando um fulcro potente na garganta Um látego, uma chama, um canto. Amo-me. Embriagada. Interdita. Ama-me. Sou menos Quando não sou líquida.
Escrito por Luiz às 11h07
[]
[envie esta mensagem]
|
| 21/01/2005 |
Pílula diária de Humor

Não sei se rio ou se choro. Essa tirinha acima resume bem o que eu tô pensando desse blog. Além da minha falta de tempo em manter os posts com qualidade, tô começando a me convencer que o que as pessoas querem é mesmo diversão. Quem quer saber de política? A vida já é muito chata mesmo né?
Escrito por Luiz às 16h05
[]
[envie esta mensagem]
|
| 20/01/2005 |
Campanha de solidariedade ao próximo
Quem pode se dar ao direito de se solidarizar com as vítimas do tsunami e nao com seu próximo? E quando digo próximo, refiro-me ao mais próximo mesmo e nao àquele que se encontra do outro lado do planeta. É no mínimo estranho o fato de se fazerem campanhas de donativos, enquanto milhares de crianças passam fome na própria “casa”.
Nao há dúvidas de que chegará muita ajuda às vítimas do terremoto do último 26 de dezembro. Somente a Alemanha, país que praticamente sustenta a Uniao Européia, enviará cerca de 500 milhoes de euros, afinal tem que fazer valer o acerto com a ONU que estabelece que os países da UE devem destinar 0,7% do PIB a ajudas ao desenvolvimento.
E quem quer que já tenha caminhado por ruas de cidades como Munique ou Zurique, por exemplo, onde parece nao haver miséria (e nao há mesmo!), tem a certeza de que é isso mesmo que esses países devem fazer: enviar seus euros que sobram para quem precisa, enquanto quem ainda tem muito o que fazer com suas necessidades domésticas, bom mesmo seria começar com o mais próximo!
Escrito por Sofia Bau às 10h57
[]
[envie esta mensagem]
|
| 19/01/2005 |
O latifúndio do ar É com a comunicação que as elites ficam mais ricas e explicam o mundo ao povo; e justificam sua riqueza diante do povo. A comunicação estabelece a cultura. É com a comunicação que o bandido, tornado rico e famoso, é invejado pelo povo. Homem de sucesso. Rico e poderoso. Como ele ficou rico e poderoso? Graças ao trabalho ou à fama. E ninguém questiona mais. A senzala, inexistente nos meios de comunicação, não sabe que há uma luta de classes.
Os meios de comunicação informam que existe a fome, a miséria, a favela, o tráfico, mas é tudo por falta de uma abstrata política governamental (precisa mudar mas sem mudar a distribuição da riqueza). A questão é estrutural, mas se atribuem nossos problemas a uma entidade irreal, a “autoridade”. Também dizem que a fome é, principalmente, coisa de pobre, e circunstancial - dessa gente que não teve oportunidade de estudar, ou de virar pagodeiro ou jogador de futebol. Na versão modernizada, eis a panacéia para o social: aprender informática e dançar capoeira faz o sujeito “sair” do crime, escapar da violência e discriminação. Ensina a mídia elitizada ao povo da senzala irreal que basta força de vontade para escapar da miséria. O mercado, divindade entronizada pelas elites, oferece as oportunidades. Basta estudar. E tome curso de formação para pobre.
O texto inteiro pode ser encontrado aqui. Assuta um pouco porque a maior parte é bem sectária e faz uso de categorias sociológicas pautadas numa visão do PCB que não se sustenta mais, por exemplo, a existência de uma sociedade feudal no Brasil, em priscas eras. Esse trecho acima, eu copiei porque se refere aos meios de comunicação e porque me incomodou não saber se fala a verdade ou não.
Escrito por Luiz às 18h47
[]
[envie esta mensagem]
|
|
Parceiro, que parceiro?
Responda rápido: você confiaria em alguém com o olhar de Condoleezza Rice, a nova secretária de Estado americana? Eu não. Ela foi sabatinada pelo Comitê de Relações Exteriores do Senado Americano nessa terça-feira e hoje, quarta-feira, foi aprovada pelo cargo.
O interrogatório, quer dizer, interrogatório não, que interrogatório é o que as tropos americanas fazem no Iraque e na prisão de Guantánamo. Ms. Rice foi sabatinada, que é mais democrático. Pois: na sabatina quiseram saber a visão dela sobre a América Latina, principalmente sobre os problemas da América Latina. A resposta me assutou.
Rice disse que o Brasil é o melhor e mais importante parceiro dos Estados Unidos "para promover na região uma agenda econômica e social dentro da democracia". Como o conceito de democracia nos Estados Unidos é bem especial, sabe? bem específico também, eu fiquei foi me perguntando se isso é bom ou maus para nós, da cocolândia. A democracia americana, principalmente essa desvirtuada nos últimos anos, é boa pro Brasil? Antigamente - cerca de 30, 40 anos atrás - era comum se dizer que o que era bom pros Estados Unidos era bom pra o Brasil. Duvido que alguém com alguma noção naquela terra possa concordar que essa noção de democracia que eles vivem seja boa pro restante do mundo.
Ademais: você confiaria em alguém com um cabelo assim?
Escrito por Luiz às 16h46
[]
[envie esta mensagem]
|
| 18/01/2005 |
Hoje eu vou fazer o que mais gosto: reclamar da vida

Aviso aos navegantes: o site malvados.com publica essas tirinhas e merece ser vito todo dia. São muito boas. O título desse post é o mesmo usado lá no site. Não estou reclamando de naaaaaaaada. :))
Escrito por Luiz às 13h50
[]
[envie esta mensagem]
|
|
Cansaço e guerra, intolerância e má educação Tenho pedido a todos que descansem De tudo o que cansa e mortifica: O amor, a fome, o átomo, o câncer. Tudo vem a tempo no seu tempo. Tenho pedido às crianças mais sossego Menos riso e muita compreensão para o brinquedo. O navio não é trem, o gato não é guizo.
Quero sentar-me e ler nesta noite calada. A primeira vez que li Franz Kafka Eu era uma menina. (A família chorava). Quero sentar-me e ler mas o amigo me diz: O mundo não comporta tanta gente infeliz.
Ah, como sanca querer ser marginal Todos os dias. Descansem anjos meus. Tudo vem a tempo No seu tempo. Também é bom ser simples. É bom ter nada. Dormir sem desejar Não ser poeta. Ser mãe. Se não puder ser pai.
Tenho pedido a todos que descansem De tudo o que cansa e mortifica. Mas o homem
Não cansa.
Outra pérola de Hilda Hilst. Ando suspeitando que além de afagar como ninguém cães no escuro, Hilda também tinha o dom da advinhação. Ou não: talvez afagasse no escuro o sentimento futuro dos outros. Hoje, ela afagou minha cabeça.
Esse post é pra lamentar o fim do blog Intelligentsia, pra lamentar também a falta de calma, intolerância, a facilidade como se manda o outro à merda, sem motivo. Talvez seja hilário saber como é fácil ser torpe nas discussões na internet, mas eu não me convenço. Isso acontece porque cá, do outro lado algo vai mal, muito mal.
Escrito por Luiz às 02h53
[]
[envie esta mensagem]
|
| 16/01/2005 |
Pílula diária de humor (pra lembrar aos que conhecem e gostam do Recife o quanto faz calor nessa cidade por esses dias)

Escrito por Luiz às 22h42
[]
[envie esta mensagem]
|
|
Mad Maria
A globo está anunciando sua nova minisérrie "Mad Maria", baseada no romance homônimo de Márcio Souza. A história registra uma passagem muito pouco conhecida da história do Brasil - como quase sempre acontece com as coisas da região norte - a construção da ferrovia madeira-maioré.
No acordo que resolveu uma questão territorial de séculos entre o Brasil e a Bolívia, o território do Acre foi cedido definitivamente para o Brasil em troca da construção da ferrovia que facilitaria o escoamento da produção da Bolívia até o rio amazonas e daí para a Europa e Estados Unidos.
Essa obra custou milhares de vidas e hoje a ferrovia está desativada, restando apenas um trecho de 7 Km utilizado como atração turística. Já haviam acontecido duas tentativas frustradas de construção no século XIX.
Esse acontecimento tem um link com o trabalho de Euclides e seu relatório de viagem às nascentes do rio Purus, pois um dos seus objetos oficias era justamente o acordo Brasíl - Bolívia.
Escrito por Cláudio Machado às 18h32
[]
[envie esta mensagem]
|
[ ver mensagens anteriores ]
|
|
|