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| 28/10/2005 |
Gratas surpresas
Quando chegar a hora, nesse fim de ano, do balanço geral a se fazer, nas minhas contas está reservado um lugar pra garota da foto. Madeleine Peyroux, jovem revelação do jazz que se faz hoje nos Estados Unidos parece que veio pra ficar. O timbre anasalado, um calo ou outro nas cordas vocais, as letras que ela escolhe para cantar e os respectivos autores, além do estilo baseado no trio bateria piano e baixo acústico confirmam isso.
A jovem Madeleine vai estar no próximo mês em Sampa e se eu estivesse na cidade ia arranjar um jeito de ver o show. Vou deixar abaixo uma das músicas que madmoiselle Peyroux canta.
E um bom fim de semana a tutti quanti genti. Gracia.
Dance Me To The End Of Love ( Leonard Cohen )
Dance me to your beauty with a burning violin Dance me through the panic 'til I'm gathered safely in Lift me like an olive branch and be my homeward dove
Dance me to the end of love Dance me to the end of love
Let me see your beauty when the witnesses are gone Let me feel you moving like they do in Babylon Show me slowly what I only know the limits of
Dance me to the end of love Dance me to the end of love
Dance me to the wedding now, dance me on and on Dance me very tenderly and dance me very long We're both of us beneath our love, we're both of us above
Dance me to the end of love Dance me to the end of love
Dance me to the children who are asking to be born Dance me through the curtains that our kisses have outworn Raise a tent of shelter now, though every thread is torn
Dance me to the end of love Dance me to the end of love
Dance me to your beauty with a burning violin Dance me through the panic till I'm gathered safely in Touch me with your naked hand or touch me with your glove
Dance me to the end of love Dance me to the end of love Dance me to the end of love
Escrito por Luiz às 14h37
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| 27/10/2005 |
Feliz aniversário, senhor presidente
  (Na foto acima, Marilyn deitada sobre a bandeira do PT) Se Lula não estivesse tão ocupado e triste com o caminho que seu (nosso) governo tomou, ele hoje faria 60 anos. E nós comemoraríamos com ele não somente a data, como também o governo que ia bem até alguém se sentir pouco aquinhonhado com o esquema dos Correios. Ficamos sem o aniversário do presidente - e 60 anos é uma data tão bonita.
Fico cá comigo inventando calado o aniversário que seria, já que esse ano não haverá. E essa fantasia faz parte das minhas outras peças de invenção na qual se encontram um Brasil mais orgulhoso de seu governo. Coisa, aliás, que não acontecia há tempos até acontecer o que todos sabemos (ou não). Mas enfim, não haverá aniversário. Não haverá comemorações lembrando com afeto de seu governante meio desastrado e mais grisalho. Não saberemos dos parabéns enviados por outros governantes, nem do gosto da torta e nem dos afagos de Marisa, nem do encontro marcado para o fim de semana em que filhos e netos se encotrariam na Granja do Torto. Não saberemos muito de quase nada.
Mas se soubéssemos e houvesse aniversário esse ano, e se o Brasil existisse de outra maneira nos 60 anos do comandante, é claro que haveria churrasco - carne de boi e de frango pra espantar os espectros da aftosa e a febre aviária. E pagode com pelada, Polyteama, Chico, pernas de pau, tudo isso num claro dia de domingo. Quem cantaria Parabéns pra você? Bom, se fosse para escolher alguém do meio artístico, tinha que ser a Fafá de Belém, na ausência de uma Marily Monroe no país. Passados os anos ela ainda tem muito peito pra isso.
Escrito por Luiz às 09h07
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| 21/10/2005 |
Um referendo no meio do caminho Morte do leiteiro (Carlos Drummond de Moraes)
Há pouco leite no país, é preciso entregá-lo cedo. Há muita sede no país, é preciso entregá-lo cedo. Há no país uma legenda, que ladrão se mata com tiro. Então o moço que é leiteiro de madrugada com sua lata sai correndo e distribuindo leite bom para gente ruim. Sua lata, suas garrafas e seus sapatos de borracha vão dizendo aos homens no sono que alguém acordou cedinho e veio do último subúrbio trazer o leite mais frio e mais alvo da melhor vaca para todos criarem força na luta brava da cidade.
Na mão a garrafa branca não tem tempo de dizer as coisas que lhe atribuo nem o moço leiteiro ignaro, morados na Rua Namur, empregado no entreposto, com 21 anos de idade, sabe lá o que seja impulso de humana compreensão. E já que tem pressa, o corpo vai deixando à beira das casas uma apenas mercadoria.
E como a porta dos fundos também escondesse gente que aspira ao pouco de leite disponível em nosso tempo, avancemos por esse beco, peguemos o corredor, depositemos o litro... Sem fazer barulho, é claro, que barulho nada resolve.
Meu leiteiro tão sutil de passo maneiro e leve, antes desliza que marcha. É certo que algum rumor sempre se faz: passo errado, vaso de flor no caminho, cão latindo por princípio, ou um gato quizilento. E há sempre um senhor que acorda, resmunga e torna a dormir.
Mas este acordou em pânico (ladrões infestam o bairro), não quis saber de mais nada. O revólver da gaveta saltou para sua mão. Ladrão? se pega com tiro. Os tiros na madrugada liquidaram meu leiteiro. Se era noivo, se era virgem, se era alegre, se era bom, não sei, é tarde para saber.
Mas o homem perdeu o sono de todo, e foge pra rua. Meu Deus, matei um inocente. Bala que mata gatuno também serve pra furtar a vida de nosso irmão. Quem quiser que chame médico, polícia não bota a mão neste filho de meu pai. Está salva a propriedade. A noite geral prossegue, a manhã custa a chegar, mas o leiteiro estatelado, ao relento, perdeu a pressa que tinha.
Da garrafa estilhaçada, no ladrilho já sereno escorre uma coisa espessa que é leite, sangue... não sei. Por entre objetos confusos, mal redimidos da noite, duas cores se procuram, suavemente se tocam, amorosamente se enlaçam, formando um terceiro tom a que chamamos aurora.
Escrito por Luiz às 17h27
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Como é bonito ver uma família unida

Escrito por Luiz às 12h03
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| 19/10/2005 |
Como é bom ser lembrado (e ainda falam que o brasileiro não tem memória)
 Momento em que o ovo atingiu a boneca
Escrito por Luiz às 19h27
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| 18/10/2005 |
Ficamos mais corruptos
O Estado brasileiro ficou mais corrupto. Dito assim, não parece grandes novidades, não é? A questão é que todos os países parecem ter ficado mais corruptos. É o que conclui o relatório Corruption Perceptions Index 2005, publicado hoje pela Transparency.org.
Como sabemos nós, brasileiros, a situação aqui só piorou: no ranking montado anualmente pela Transparency.org, o Brasil caiu da 59ª posição para a 62ª. Em termos estatísticos, não houve queda. Houve estagnação, o que não é melhor: significa dizer, segundo a Transparency.org, que não foram empreendidas medidas eficazes para reduzir fraudes.
O índice mede o nível de integridade das relações mantidas por todas as instituições do Estado, em todas as esferas, e não corresponde apenas aos governos nacionais. A lista dos países com suas colocações são montadas em função das opiniões de observadores internacionais. A metodologia pode ser conferida aqui.
Ao todo, foram considerados 159 países. O Chile é o país que obteve a melhor classificação na América Latina inteira - 21ª colocação. O nível de integridade e transparência mais elevado foi obtido pela Terra do Gelo, em seguida ficaram Finlândia, Nova Zelândia, Singapura e Suécia. Veja a lista completa aqui.
O Uruguai ficou com melhor posição que o Brasil também: 32º lugar. Assim como a Namíbia (47º), Costa Rica (51º), Trinidad e Tobago (59º), México, Panamá, Peru e Turquia (empatados no 65º lugar).
Uma das conclusões a que chega a organização que produz o estudop é que os paíes mais pobres são também oas mais corruptos. E que a corrupção é de fato um dos maiores impedimentos ao desenvolvimento desses países. No mapa acima, quanto mais vermelha a região ou país, maior o índice de corrupção no respectivo Estado Nacional.
Escrito por Luiz às 16h36
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| 17/10/2005 |
A nova esquerda (às vezes dá uma preguiça)
 Ibañez, do La Nacion
Escrito por Luiz às 00h40
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Motim na Argentina
A notícia que chama atenção, numa rápida olhada nos principais jornais da América Latina, nesse fim de semana, é o motim na Argentina. 32 mortos. A maior parte por causa de asfixia. Pra mim ainda não ficou claro a razão do motim, embora quase sempre não seja uma só. O Clarin informa que a revolta começou quando 60 presos confinados por indisciplina se enfrentaram no horário de visitas. Teriam colocado fogo nos colchões e começado a bagunça.
Já o La Nacion informa que os presos reivindicavam um tempo de visita maior no dia das mães e em seguida colocaram fogo nos colchões. Uma coisa é certa: houve fogo nos colchões, fumaça e neguinho morrendo sufocado. Na tarde do domingo, famílias dos presso se acotovelavam em frente ao presídio, na esperança de obter mais informação - o governo argentino ainda não havia divulgado a lista dos mortos.
Escaramuças na Colômbia El Tiempo informa que seis militares foram mortos em combate com as Forças Armadas Revolucionarias de Colombia na localidade de Dabeiba (Antioquia). Quatro dos membros das forças militares da Colômbia estão feridos e há vários desaparecidos.
Em Antioquia e também em Santander, Norte de Santander y Caquetá morreram seis rebeldes das Farc e dois do Exército de Liberação Nacional (ELN). Outros dois integrantes das Farc teriam sido mortos o município de Cimitarra. Outras mortes estão sendo acompanhadas com certa rotina na Colômbia pela imprensa do local.
Escrito por Luiz às 00h26
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