SOY LOCO POR TI
Política, Mídias, Economia, Arte, Futebol e Humor na América Latina

23/12/2005

É isso: Feliz natal a todos
e ótimo ano novo. :=))



 Escrito por Luiz às 19h34 [] [envie esta mensagem]



Feliz navidad, América Latina
A América Latina parece cansada de dogmatismos de esquerdas ou de direitas. Essa é uma das boas frases contidas nesse texto, enviado pelo amigo Cláudio Machado, diretamente do Planalto Central. De fato, se 2005 revelou, no Brasil, a fragilidade do projeto Lula, 2006 por outro lado se abre com uma grande variedade de oportunidades para que forças de esquerda tomem o poder. E possam começar a efetivar governos com chances de reduzir desigualdades e aprofundar projetos de democracia. De fato, há quem acredite numa virada à esquerda no continente, o que significa em reais chances de que forças oriundas de movimentos sociais cheguem ao poder central. Em 2006 haverá 11 eleições presidenciais no continente.

No Peru (eleição em 9 de abril), o militar nacionalista Ollanta Humala tem 22% das intenções de voto. No México (eleição em 2 de junho), López Obrador, ex-prefeito da capital e líder da centro-esquerda, também tem vantagem. Hugo Chávez, por sua vez, se fortaleceu para a reeleição em junho. Na Nicarágua, o líder sandinista Daniel Ortega poderá retornar à presidência. No Chile o segundo turno tende para vitória do partido socialista. Sem falar do novo ano novo na Bolívia e seu presidente aimará.

As chances de vitória dessas candidaturas se ancoram, penso eu, no cansaço de populações que tiveram suas economias atreladas a um modelo de desenvolvimento neoliberal que se mostrou inviável - a América Latina ainda concentra os maiores índices de desigualdade social do mundo.

A década de 1990 viu o enfraquecimento dos estados nacionais e das máquinas públicas na região, houve a redução massiva de investimentos nas áreas sociais e o enfraquecimento dos direitos trabalhistas, aumento do desemprego e da exclusão social. Apesar da ONU e do banco Mundial gritarem aos quatro cantos que haverá maior produção de riqueza - o que só é a confirmação de mais concentração de renda. Os pressupostos do consenso de Washington foram ampla e rigidamente aplicados no continente - estabilidade macroeconômica, abertura da economia, redução do papel do Estado e ajuste estrutural. Esse receituário foi repassdo para a tecnocracia de praticamente todos os países como um caminho inevitável. É o que eu acho.

Um bom estudo sobre o assunto foi editado agora a pouco sob o título "Continente em chamas – globalização e território na América Latina”. São oito ensaios organizados por Maria Laura Silveira que se baseia nas experiências econômica, culturais e sociais de México, Venezuela, Colômbia, Uruguai, Chile, Argentina e Brasil. Ou seja, já é uma das leituras pra se fazer em 2006.

Um dos grandes desafios dessas esquerdas, no poder ou não, é superar o populismo e o clientelismo. E no caso de chegando ao poder, de eliminar ao longo dos anos os focos de corrupção.

"Es muy difícil que en condiciones de profunda desigualdad puedan impulsarse reformas superadores de la dualización económica y social estructural latinoamericana simplemente desde la fuerza y legitimidad electoral. Necesitamos además la organización y el control social. Ya lo decían los antiguos romanos: el precio de la verdadera libertad es la vigilancia perpetua desde el pueblo organizado", diz o texto enviado pelo amigo Cláudio.

Sem a mobilização social, entretanto, não há chances de que esses problemas sejam superados. Até porque a conquista de igualdade social e desenvolvimento social e construção de melhores instituições públicas parece depender cada vez mais da participação das pessoas - blogadas ou não, nas ruas ou em frente a um computador, tentando ocupar de forma democrática o espaço político público.

Não sei. Tô esperando pra ver o ano nascer de novo com uma ponta de esperança nesse panorama todo.



 Escrito por Luiz às 12h18 [] [envie esta mensagem]


20/12/2005

Bela e dura
(Não, não é um post erótico)
Acho até que minha imaginação construiu uma representação mental do enigma que estavam contando, em que o passarinho de papai encaixava na grutinha de mamãe com precisão geométrica e perfeita, como se encaixam as peças de madeira dos jogos de construção. Mas não era uma imagem de verdade. Não é uma imagem de verdade. A imagem dos pais que nos procriam não é cheia de pelos e suores, de pintos altivos e a ponto de explodir, de escapadas e coitos. Não só a imagem de como nos geram é falsa. A de como nascemos também. Toda essa umidade envolta num choro violento, o sangue e os rompimentos, os coágulos condensados que colam as pálpebras, o frio, a falta de gravidade perdida no susto e essa súbita obrigação de ser, de ser sério e sozinho, todo esse pântano de células obrigadas a se juntarem em órgãoes, crescerem e se dividirem, que é sua forma de se multiplicarrem, e procurarem saída. Nascer é isso: procurar uma saída, procurar às cegas e aos empurrões, cegos pelo sangue. E depois a vida inteira procurando uma saída que nos tire do atoleiro em que a saída anterior nos meteu, talvez porque não fosse propriamente uma saída, e assim, com a memória distrída, chegamos a acreditar que não nascemos assim, que viemos ao mundo limpos e embrulhados  como um caramelo, cheirando a gaze e pomada, com a pele hidratada de cremes, não de sangue. É a primeira das lendas. Ainda não acabamos de nascer e já estamos inventando para nós como nascemos. Gostamos da idéia de sermos filhos de uma idéia. Queremos ser filhos do amor e somos filhos do sexo. Pode ser que amor contenha sexo, como as fontes que mal se percebem contêm rios imensos. Não vou negar. Mais até: quase não tenho dúvida de que esse foi o nosso caso. Mas esse amor é questão de estatística. É a garrafa do jogo, a bússola enloquecida que aponta, com o gargalho vez por outra, quem beija quem e como.



O techo acima foi retirado do livro Mentira, do escrito espanhol Enrique de Hériz. É uma gratas surpresas, entre as muitas que tive este ano. Mentira é a história de três gerações de uma família que se desenrola a partir da morte da matriarca. Na verdade, ela é dada como morta numa viagem que faz à Guatemala, logo no início do livro. O engano é percebido por ela imediatamente, que não se esforça, no início, para desfazer o mal entendido. A razão eu não conto, claro. A partir daí, seu diário e o de sua filha, Selena, que mora em Barcelona, são escritos de forma complementar: esclarecendo uma mentira que na verdade virou uma fábula e uma razão de ser da família inteira. O mais legal é que o texto mostra como a tal da mentira do livro, e as pequenas inverdades que a rodeiam, podem ser vistas de forma simpática e condescendente. Principalmente quando ela, a mentira, parece ser mais verdade e aceitável que aquela outra, a verdade.

 Escrito por Luiz às 23h04 [] [envie esta mensagem]



Perguntas pertinentes
Por que comemorar a eleição de Evo Morales?
Por que a população boliviana elegeu Evo Morales?
Como fica a situação da Petrobras nessa história?
Por que os Estados Unidos não gostaram do resultado?
Morales é igual a Lula?

As respostas, em breve, num blog perto de você.



 Escrito por Luiz às 18h55 [] [envie esta mensagem]



2005: campo de guerra
Em 2005, entre janeiro e novembro, foram mortos 37 trabalhadores rurais no Brasil. Somente no Pará foram 16 e, em Pernambuco, 4. Os dados foram divulgados ontem (19), pelo Fórum pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, composto por 45 entidades. No somatório geral, foram duas mortes a mais que no ano anterior.

O Pará continua, como no ano anterior, a liderar a lista. Em Mato Grosso, foram cinco assassinatos, segundo a Comissão Pastoral da Terra.  O documento divulgado ontem avalia que a disputa no campo é resultado do embate entre dois projetos para a produção agrícola. O agronegócio que prioriza as exportações, o aumento do uso de tecnologias e a redução de mão-de-obra, representaram, segundo a CPT, um dos lados da moeda. O outro lado seria representado pela agricultura familiar - responsável ppor 85% dos empregos no setor.

O documento diz que o peso dos ministérios da área econômica, agricultura e industria e comércio acabaram sendo definidores pela escolha pelo agronegócio, em detrimento da agricultura familiar. E denuncia ainda que a reforma agrária, como um instrumento necessário e possível para reduzir a concentração da propriedade da terra, valorizar e multiplicar a agricultura familiar e camponesa, está paralisada.

O documento afirma ainda:
"O Governo não honrou os compromissos assumidos com os trabalhadores e trabalhadoras rurais nas diversas manifestações, a exemplo da Marcha Nacional, do Grito da Terra e Jornada da Agricultura Familiar, dentre outras. Exemplo disso é a não publicação da Portaria Interministerial que atualiza os índices de produtividade, ponto prioritário das pautas de reivindicações de todos os movimentos e providência que depende, exclusivamente, do Poder Executivo. Conseqüentemente, permanecem acampadas na beira das estradas mais de 140 mil famílias, a despeito das promessas de promover o assentamento prioritários destas famílias, e não disponibilizou crédito suficiente para os assentados".

Assentar, no menor tempo possível, todas as famílias que estão acampadas e passando todo tipo de necessidades; publicar portaria que atualiza os índices de produtividade para efeito de desapropriação; mudar a política econômica, alterando as taxas de juros, eliminando o superávit primário e adotando como prioridade investimentos na geração de emprego, distribuição de renda e fortalecimento do mercado interno; e tratar a reforma agrária como prioridade, adotando um conjunto de medidas que levem, de fato, à democratização da propriedade da terra e ao fortalecimento do INCRA como órgão executor desta reforma. Esses são os principais pontos que o governo deveria adotar, segundo a CPT.



 Escrito por Luiz às 18h51 [] [envie esta mensagem]


18/12/2005

Eleições na Bolívia
Se o resultado das eleições na Bolívia for fiel às pesquisas divulgadas nesse momento em que escrevo, sairá ganhando do pleito o líder cocaleiro Evo Morales. O candidato deve ficar com 45% das opções de voto, contra 33% do direitista Jorge Quiroga e 10% do empresário Samuel Doria Medina Auza. Isso não significa que o líder cocaleiro será o eleito.

Isso porque se o candidato com mais votos ficar com um índice abaixo de 50%, a escolha do presidente recai sobre o parlamento boliviano, segundo a legislação eleitoral do país. Oito candidatos disputaram o pleito. Nas eleições também, foram escolhidos deputados e senadores.

Morales é o candidato com maior apelo popular por qter forte influência sobre setores mais combativos ("de esquerda"). Ou seja: campesinos pobres do oeste do país, cujos protestos nos últimos quatro anos, aliás,  derrubaram dois presidentes.



 Escrito por Luiz às 20h45 [] [envie esta mensagem]


16/12/2005

Mexperimental
Os u.s. estão se tornando um novo modelo de estado autoritário. isto é muito interessante. os soviéticos, os chineses, os "outros" foram rápidos em implantar o controle total. eles eram vulgares e explícitos, estavam deseserados. os u.s. esperaram. os u.s., como o méxico à sua própria maneira, aspiraram secretamente alcançar uma ditadura perfeita, invisível. este é o desdobrar da história, deixando clara a si mesma: os u.s. são a principal força no mundo a escravizar outros. a política rígida de mercado. os u.s. vão acabar se perdendo, sem mesmo saber o que os u.s. significavam, porque não significavam nada; os u.s. foram criados para fins puramente exploratórios.

a identidade nacional não é uma coleção de traços eternos. a identidade nacional é uma configuração, uma série de configurações, de como transformar a si mesmo. a identidade mexicana está desaparecendo. é esse conhecimento central que me leva a escrever. estamos morrendo.

as pessoas pensam que os Zapatistas são pessoas cheias de esperança e merdas do tipo. Mas o caso não é este. Zapatistas são mexicanos - índicos ou não - que sabem que nossa cultura está se extinguindo por causa da corrupção do governo e das campanhas americanas. Nãos abemos que veio primeiro, se a corrupção mexicana ou as companhias americanas, do mesmo jeito que não sabemos a solução para quem veio antes, o ovo ou a galinha. a história em nada ajuda.

Mas sabemos que estamos perto do fim. a ao invés de simplsmente nos matermos vivos enquanto o país se
torna cada vez mais americanizado (ou seja, morto), preferimos lutar até que chegue o beco-sem-saída.


a linguagem pode vir depois de alguma coisa, antes de qualquer cois, entre qualquer coisa. a linguagem é uma dimensão. não um tema ou um padrão de relações. a linguagem forma o espaço da mesma forma que o tempo. a linguagem deforma o espaço, e nele encontra outros campos "gravitacionais". a linguagem também está influenciada pelo tempo e pelas três dimensões anteriores. às vezes a linguagem cai em suas armadilhas. ou se confunde com elas. a linguagem paree ser um outro habitante delas, se perdendo naquele pensamento ou posição. mas originalmente a linguagem é dimensional. a linguagem está presente depois, antes e durante o tempo e antes dos três. ela passa por eles.

o que a linguagem faz, como a linguagem é, como a linguagem escava túneis, flui, divide, como a linguagem atrai,
separa, indetermina, é indscritível.

o amor opera de um jeito parecido com a linguagem. o amor também contém preenche e deforma o espaço-tempo. ele também traz e separa. a linguagem e o amor poderiam ser dois aspectos de uma única força ou dimensão do universo.

fazer sexo se torna um poder social graças à fala.

um orgasmo nada mais é que o desejo do corpo de se destruir de um jeito bonito. os orgasmos foram criados pela mente para que a gente consiga mortes estéticas.






Os trechos acima foram pinçados do blog Mexperimental, do poeta e ensaísta mexicano Heriberto Yépez. Reproduzo-os aqui correndo o risco de perder os poucos (mas especialíssimos) leitores que ainda visitam o Soy Loco por Ti. Bom final de semana a todos.

 Escrito por Luiz às 14h16 [] [envie esta mensagem]



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