SOY LOCO POR TI
Política, Mídias, Economia, Arte, Futebol e Humor na América Latina

14/02/2006

A vontade de não saber
Poucos setores oferecem tamanha resistência à análise, ou seja, tamanha disjunção entre a importância das mudanças técnicas, econômicas, culturais, e o pouco questionamento sobre os seus significados. Essa resistência à análise outrora estava ligada em grande parte à ignorância, porque as informações envolvendo as mutações desse setor eram poucas. Não havia seção sobre as mídias e a comunicação nos jornais e existiam poucas revistas especializadas. O exato oposto ocorre hoje. Há uma profusão de informações: sabe-se tudo a respeito das estratégias do atores, da constituição de grupos multimídia, das novas técnicas de comunicãção, dos gostos do público, do custo dos programas, mas sem que se manifeste qualquer solicitação de análise. As mídias criaram todas uma seção especializada e o resultado é paradoxal. Em vez de favorecer uma informação mais abundante, mais rica de diversidade e análises, observa-se o fenômeno inverso. Como se as informações fossem a própria análise. É esta a resistência à análise: a vontade de não ir além da informação, dos boatos, das suposições, numerosas nessa área. Resumindo, o "mercado" da informação sobre a comunicação é próspero, com a condição de contentar-se com esse ruído de informações e semi-segredos assimilados à análise. A comunicação é uma área na qual, apesar dos discursos oficiais, não se quer saber.

Como se chegou a essa contradição?


Texto retirado de Pensar a Comunicação, de Dominique Wolton.



 Escrito por Luiz às 11h30 [] [envie esta mensagem]


12/02/2006

O ovo do Pentágono
O Pentágono publica, a cada quatro anos, o que eles chamam de Revisão Quatrienal de Defesa , um relatório que analisa os riscos para asegurança nacional dos Estados Unidos e de certa forma pauta a movimentação de tropas, a compra de armas, etc. A desse ano já foi publicada e menciona um único país da América Latina: a Venezuela. Não é comum que o relatório mencione nenhum país, anda mais com uma análise que considera o país governado por Hugo Chávez como uma ameaça.

Chávez conseguiu chamar a atenção do governo americano? Obviamente isso já aconteceu há muito. E penso eu que em sua retórica anti-imperialista esse não é o principal objetivo. O que é mais curioso que que a postura do governante venezuelano é muito cômoda: se os Estados Unidos não tomam nenhuma posição, ainda que diplomática, parece que Chavez sai ganhando, seu discurso fica por cima. Se os EUA tomam alguma providência, ainda que diplomática, Chávez usa isso para comprovar sua tese de que luta contra um império.

A análise do Pentágono é uma novidade pra ser acompanhada. O último relatório, de 2001, não há citação a nanhum país em especial.



 Escrito por Luiz às 00h21 [] [envie esta mensagem]


10/02/2006

Germano e os artistas

O pré-candidato do PMDB à presidência da república Germano Rigotto foi convencido não sei por quem que o grande evento de abertura do carnaval de Pernambuco é o baile dos Artistas, que acontece hoje. Não sabe ele que o baile, ao qual o governador Jarbas Vasconcelos o convidou, é o grande encontro do ano do pessoal dessas fotos acima nessas plagas - não confundir com "pregas".

Essa semana ligou um repórter de São Paulo pra saber quem ia cobrir Rigotto no Baile dos Artistas, pode?


 Escrito por Luiz às 15h27 [] [envie esta mensagem]


09/02/2006

Lavousier

Qualquer semelhança é mera coincidência.

 



 Escrito por Luiz às 13h46 [] [envie esta mensagem]



Hugo Boss
Será que Hugo Chavez está fazendo história? Para o preofessor Javier Corrales, ele está inovando a cartilha do regime autocrata. Corrales, professor do Amherst College, escreve um longo artigo no Foreign Policy argumentando sua hipótese.

A idéia faz sentido porque porque Chaves tem controle total de todas as instituições que poderiam checar, fiscalizar ou controlar seu poder. Isso começou em 1999, quando ele modificou a constituição do país, que eliminou o Senado, reduzindo assim de duas para uma as instâncias de câmeras com as quais ele deve negociar. E recentemente, as eleições regionais cristalizaram a maioria na câmara.  Ele também revisou as regras do congresso de forma que os projetos de lei são aprovados com metade simples dos deputados, ao invés de dois terços, como era anteriormente – a medida também facilita a aprovação de alterações legais. Foi que lhe permitiu, aliás, a aprovação do número de juízes da Suprema Corte de 20 para 32 – os novos cargos foram ocupados por gente de sua confiança.

 Mais: além do corpo tradicional das forças armadas, Chávez controla um corpo militar urbano formado por reservistas – hoje cerca de 100 mil, com objetivo de chegar a dois milhões. Esse segundo corpo militar foi criado ao longo de 2004. Chávez ainda controla a Petroleos de Venezuela SA (PDVSA), mais importante fonte de renda do governo e o Conselho Eleitoral Nacional. Assim, Corrales mostra que o controle de Chávez sobre os dias nas Venezuela passa pela rédea curta ao Legislativo, à Suprema Corte (Judiciário), às forças armadas, à principal fonte de renda do estado (PDVSA), à instituição que controla e monitoras eleições.

Não sei porque eu amanheci com a letra de Podres Poderes na cabeça.



 Escrito por Luiz às 12h59 [] [envie esta mensagem]


07/02/2006

Tempo, tempo, tempo, tempo, tempo
Semana passada fiquei sabendo da inesperada morte de um amigo. E eu, que de inspiração e motivação pra manter esse blog estava vazio, resolvi dar um tempo. Só agora volto e vejo contente que 10 pessoas fizeram comentários no post abaixo. Deve ser um recorde aqui do Soy Loco por Ti, obrigado a todos. Confirmando o que os mais chegados já sabem há um tempo, minhas fichas caem tarde, eu demoro a perceber as coisas e por inata característica própria pessoal e intransferível só agora nesse momentinho em que escrevo essa palavra eu percebo porque tô escrevendo esse post.

Viver nunca vai deixar de ser uma dádiva (não vou dizer que é um presente pra não acender a vela da conversa transcendental porque a essa altura esse post já tá metafísico demais). Mas além de ser uma dádiva, com o passar dos anos, viver passa a ser também uma obrigação com o tempo. Isso não tem nada a ver com otimismo ou pessimismo. É simplesmente que deixamos de ter tempo. Deixamos de ter tempo até para sentir a morte do amigo. É como se a morte não combinasse com a vida - não por seu o seu oposto, mas por não caber mais nela, por teu sido expulsa de seu horizonte.

A lembrança de um certo jeito bom de viver o tempo, com tempo, está muito ligada à forma de ser de meu amigo, a um certo tempo dividido com ele por não sei quantas pessoas, há uns anos atrás. Gente que estudou, trabalhou, que viajou com ele, etc.

Quando todos tinhamos tempo um pro outro, pra ligar e perguntar "como é que você está?"; ou tempo para às 18 horas assistir a sessão do Teatro do Parque, em seguida tomar três cervejas baratas no Maremoto e depois esticar pela Avenida Boa Vista atrás dum churrasco de gato. E então tomar o ônibus, seguir pra casa sem saber que um pequeno milagre aconteceu.

Além de me lembrar desse jeitão de viver o tempo, a morte de meu amigo me remeteu a mais: a uma promessa que eu me prometi, jurando pra mim mesmo que poderia cumprir: por coincidência, eu me prometi que andaria mais devagar esse ano, que sorriria mais, que tiraria o pé do acelerador, que seria mais bonito para ver mais bonito porque bonito sendo acredito que mais belo eu verei. Porque mais bonito amando e me deixando ser amado melhor as coisas vão suceder ao meu redor, em minhas mãos, meus olhos, minha boca, aqui em casa.

A morte de um amigo tem dessas coisas.

É diferente de perder. Nunca o tivemos. rêrê
É diferente da ida de alguém da família. Porque o escolhemos.

Carnaval taí, em duas semanas.
Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima.



 Escrito por Luiz às 00h08 [] [envie esta mensagem]



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