SOY LOCO POR TI
Política, Mídias, Economia, Arte, Futebol e Humor na América Latina

31/03/2006

Thanks God, it´s friday

(Tarde Azul, de Didier Lourenço)

 Escrito por Luiz às 17h17 [] [envie esta mensagem]



Tempos novos para
a América Latina
Continente marcado pelas desigualdades sociais e contínuas agressões dos Estados Unidos, a América Latina começa, de fato, a trilhar caminhos novos rumo à verdadeira integração. È o que defende o lingüista e intelectual estadunidense Noam Chomsky. Escolhido em votação como o intelectual ativo mais importante na atualidade, numa recente pesquisa realizada pela revista britânica Prospect, Chomsky recebeu cerca do dobro dos votos do segundo colocado, o filósofo italiano Umberto Eco. Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, ele fala sobre a situação que está vivendo a América Latina em geral e, em particular, a América do Sul, região sacudida por fortes ventos inovadores e que parece estar se libertando da tradicional influência dos Estados Unidos.

Brasil de Fato – Com a eleição de Evo Morales, na Bolívia, a região parece estar realmente sem controle sob o ponto de vista dos Estados Unidos?

Noam Chomsky – Não há dúvidas de que Washington está muito incomodado com esta situação, já que há algum tempo a região começou sair do controle estadunidense. Tradicionalmente, é uma região que sempre esteve sob o controle dos Estados Unidos, pelo menos desde o final da Segunda Guerra Mundial. A Venezuela foi essencialmente conquistada pelos Estados Unidos nos anos 1920, ou seja, no início da idade do petróleo, quando foram descobertos os enormes recursos deste país. Os Estados Unidos expulsaram os ingleses e, a partir daquele momento, tiveram o controle do país. Com exceção deste e do Canal do Panamá, o controle dos Estados Unidos nunca se estendeu na América do Sul, até o final da Segunda Guerra Mundial. Com o fim da guerra, a Europa foi expulsa da região e o continente entrou sob o domínio de Washington, que de algum modo sempre deu por certo o controle sobre a região, patrocinando golpes militares de Estado. Na última década, o sistema de domínio começou a fragmentar-se, o continente começou a se mover com alguns graus de independência que Washington certamente não quer tolerar. Mas na verdade não há muito o que se possa fazer. As eleições brasileiras foram motivo de forte preocupação, mitigadas de algum modo pelo fato de Lula não ter perseguido políticas realmente de esquerda; pelo contrário, continuou com uma política não muito diversa dos seus predecessores. De qualquer modo, o único golpe verdadeiro ao domínio estadunidense foi dado por Chávez. A América Latina pela primeira vez na sua história está começando a integrar-se. Os modelos coloniais dos espanhóis, primeiro, e sucessivamente dos ingleses, franceses e assim por diante, criaram um sistema em que os países latino-americanos se orientavam na direção das potências ocidentais que os controlavam, e não entre si. Agora está tendo início a integração, a América Latina possui recursos realmente enormes e desigualdades muito grandes, opressões e violências, com pouquíssimas interações, mas este sistema começa a inverter-se. É algo difícil, uma união das nações já nasceu, mas até o momento ainda está no papel. Seja como for, ela começa a adquirir forma e contar com o apoio de outras forças externas, em particular a China. O comércio entre a China e a América Latina está crescendo.

BF – Sobretudo com a Venezuela.

Chomsky – A Venezuela está mandando petróleo e a China está começando a investir no país. A Venezuela sempre foi uma das maiores fontes de energia dos EUA desde 1970. A partir de então, as coisas mudaram, mas a Venezuela sempre foi o maior fornecedor dos estadunidenses e possui os maiores recursos na região. A Bolívia conta com enormes fontes de gás natural que até agora não foram exploradas pelos EUA, que de qualquer modo contam com isso dentro do mais breve. E nos outros países da América Latina existem também grandes quantidades de recursos naturais. Os acordos com a China estão decolando lentamente, assim como as relações comerciais com a Europa, além disso, estão nascendo também as relações Sul-Sul.

BF – É esta a grande novidade?

Chomsky – Certamente. O Brasil, a África do Sul e a Índia, entre outros, estão formando uma aliança independente do Sul. E tudo isso está fugindo do controle de Washington. Os Estados Unidos deram por certo, desde o final da Segunda Guerra Mundial, um controle quase total sobre o planeta, com exceção de alguns setores do Leste da Europa, mas o restante era dado como certo. Mas a ameaça da Venezuela aos Estados Unidos é ainda maior e diz respeito às relações entre Cuba e Venezuela. Há décadas que os Estados Unidos tentam destruir Cuba. Esses dois países estão estreitando as relações, o que escandaliza Washington e a imprensa. Mas se analisarmos estas relações, observaremos que são muito bem estudadas, ambos usam os pontos fortes. A Venezuela manda o petróleo e Cuba envia pessoal altamente qualificado, alta tecnologia médica, professores, doutores, etc. É uma relação muito natural que está se difundindo em toda a região. Tudo isso aterroriza os EUA.

BF – Parece a primeira vez que alguém utiliza o petróleo como um meio de integração, ao invés de algo para criar confl itos e guerras.

Chomsky – Em geral, o petróleo foi usado apenas por dois motivos: para seguir a direção do Ocidente, dos países ricos; e para enriquecer os administradores locais. Este é o modelo no Oriente Médio e na Venezuela. E é por isso que a Venezuela, um país potencialmente muito rico, sempre teve um setor de ricos muito pequeno e de origens ocidentais que vivem muito bem, e uma enorme massa de pessoas extremamente pobres. Este é o modelo do petróleo, enriquece as elites locais e escorre através das multinacionais em direção ao Ocidente, onde contribui para o desenvolvimento industrial. Foram feitos esforços para que houvesse uma mudança. Nasser no Egito (Gamal Abdel Nasser), por exemplo, foi temido e comparado a um novo Hitler, principalmente porque o seu nacionalismo estava orientado ao uso dos recursos da região, não para enriquecer o Ocidente e as pequenas elites locais. Esta é a razão pela qual teve que ser destruído. Foi isso que marcou o nascimento da aliança entre os EUA e Israel.

BF – Isso também acontece em relação à Venezuela?

Chomsky – Pela primeira vez na história, o país usa seus recursos energéticos para o desenvolvimento. Podemos discutir se vai ter sucesso ou não, mas os recursos são utilizados em reconstrução, saúde, etc. Existe também um certo nível de participação no controle da indústria petrolífera por parte dos trabalhadores. Mais uma vez, podemos discutir sobre o sucesso ou não dessas políticas, mas o final do programa é muito claro e isto transtorna Washington. A idéia que os recursos de um país devam ser utilizados para a população do próprio país mete mesmo muito medo.



 Escrito por Luiz às 17h14 [] [envie esta mensagem]



BF – É possível que a popularidade de Hugo Chávez na América Latina e suas políticas de integração através de acordos com o petróleo possam de alguma maneira ajudar os outros presidentes de centro-esquerda da região a manter uma política mais à esquerda e mais popular?

Chomsky – É difícil fazer previsões, mas certamente Chávez está exercendo uma pressão nesse sentido. Podemos estar certos de que os EUA tentarão detê-lo a todo custo. Se dermos uma olhada nas despesas estadunidenses na América Latina, nos damos conta de que estamos diante de uma mudança. Durante o ápice da Guerra Fria, a ajuda econômica era consideravelmente superior àquela militar, hoje é mais ou menos a mesma, a ajuda militar cresceu e termina principalmente na Colômbia e nos países que apoiam tais esforços. Portanto, as ajudas militares aumentaram muito. Além disso, a presença militar de estadunidenses também alcançou um pico. Mesmo o treinamento dos militares latinoamericanos sofreu uma mudança. Era feito pelo Departamento de Estado e teoricamente havia a supervisão do Congresso, que ditava condições baseadas nos direitos humanos. Essas medidas não eram aplicadas de maneira perfeita, mas sim de maneira muito sumária, mesmo assim surtiam efeito. Hoje houve uma mudança, a preparação dos militares latino-americanos agora é de responsabilidade do Pentágono, não existem restrições ou supervisões. Se querem ensinar métodos de tortura, não há problemas, ninguém virá jamais a saber. A passagem da responsabilidade ao Pentágono significa que a condicional sobre os direitos humanos desaparece, e eles são livres e felizes de fazer o que quiserem. O Pentágono está reexaminando as finalidades desses treinamentos.

BF – É assim que os EUA pretendem fazer a guerra contra o “terror”?

Chomsky – Há algum tempo, falava-se de defesa do hemisfério, pois Kennedy modificou os objetivos passando da defesa do hemisfério à segurança interna. Isso significa praticamente combater contra suas próprias populações, terrorismo de Estado e assim por diante. Hoje a finalidade mudou novamente, fala-se de guerra contra o tráfi co de drogas, mas na realidade na mira estão os temas sociais: grupos radicais, formações sociais, ativistas, sindicalistas. Tudo isso é muito explícito e sob o controle do Pentágono, sem alguma supervisão. Estas são as mudanças concretas e estão correlacionadas ao aumento da grande preocupação dos EUA com os movimentos de independência e de integração da região. E a Colômbia joga um papel muito importante para os Estados Unidos.

BF – Podemos dizer que a Colômbia, a exemplo de Israel, pode ser um fator de instabilidade regional que tem a tarefa de manter a área e os países confinantes sob pressão?

Chomsky – Acho que os Estados Unidos gostariam de fazer algo do gênero, mas simplesmente não podem. Só o controle da Colômbia é um problema sufi cientemente grande. Os Estados Unidos ainda não conseguiram tomar o controle da Colômbia. A guerra contra a droga é somente uma branda cobertura de uma luta contra a guerrilha. Aquilo que é chamado treinamento antinarcótico é na verdade um treinamento antiguerrilha. O Plano Colômbia sempre foi um programa antiguerrilha. Grandes áreas do território colombiano estão fora do controle do Estado e nas mãos da guerrilha camponesa. Para compreender como as intervenções dos EUA pouco têm a ver com a luta contra a droga, basta observar como grande parte da produção de droga seja feita em áreas sob controle paramilitar. As operações do Plano Colômbia, por outro lado, são feitas contra os camponeses pobres do sul do país, nas regiões de Putumaio e do Cauca, entre outras. A Colômbia é um dos países com o maior número de deslocados, atrás somente do Afeganistão e do Sudão. Cerca de dois milhões de pessoas são forçadas a viver nos subúrbios urbanos mais degradados. Afastada a população, chegam as companhias petrolíferas e de mineração que começam a explorar as montanhas e o subsolo, ou então chega a Monsanto e outras companhias da agroindústria que praticam a agricultura intensiva para exportação, provavelmente geneticamente modificadas. Um típico modelo colonial, onde os ricos tornamse mais ricos e as companhias estrangeiras acumulam enormes capitais. Os camponeses, se sobrevivem, devem ir embora.

BF – Muitas vezes o senhor afirmou que a região Andina será o próximo interesse da administração Bush, depois do Iraque.

Chomsky – Antes da invasão do Iraque, eu achava que ela não duraria mais que três dias. Uma das razões da invasão era que o país estava completamente sem defesas, depois de pesados bombardeios e um embargo fortíssimo, o país se mantinha unido de modo muito precário. Mas de algum modo transformou-se em uma incrível catástrofe, uma das piores catástrofes militares da história. Os soldados estadunidenses estão imobilizados, não podem ir embora sem estabelecer um Estado-satélite no modelo centro-americano ou dos satélites do Leste Europeu, com uma democracia formal que faça com que as coisas funcionem no modo justo. Eles não podem ir embora deixando o petróleo do Oriente Médio nas mãos de uma série de governos xiitas que controlam o Irã, o Iraque e a Arábia Saudita. Eles estão em grandes dificuldades. Sim, eu achava que o próximo passo seria a região Andina, mas no momento isso é impossível, estão imobilizados. Por isso, acho que é uma oportunidade de crescimento para a integração da região Andiana.


(Tradução Nicia Nogara)


Pescado do Alainet.org.



 Escrito por Luiz às 17h14 [] [envie esta mensagem]


28/03/2006

Lugar de sonho é na padaria?



 Escrito por Luiz às 15h43 [] [envie esta mensagem]


26/03/2006

Entre riscos
As crises não têm resultados necessariamente negativos. Às vezes, por causa delas, os países avançam. Quando estourou a crise do mensalão, parecia ser o momento que levaria o Brasil a alguns avanços institucionais, já iniciados após o impeachment de Collor. Nove meses depois da avalanche de denúncias do ex-deputado Roberto Jefferson, o comportamento errático dos políticos está confirmando o cenário pessimista. O risco fiscal começa a aumentar perigosamente.

A absolvição de deputados que se financiaram com dinheiro ilícito e que mentiram à Justiça Eleitoral informa ao país — e aos políticos — que, daqui para diante, está legalizado o vale-tudo. Países como Itália, Alemanha, Canadá aproveitaram momentos de escândalo político para construir avanços institucionais. No Brasil, após o escândalo de PC Farias, o então presidente Collor perdeu o cargo e os direitos políticos. Na seqüência, foi aprovada a primeira lei contra a lavagem de dinheiro e, anos mais tarde, criado o Coaf para ser uma ferramenta neutra, a serviço do Estado, para ajudar as autoridades.

Desta vez, o governo e seus políticos caminharam para o extremo oposto e afrouxaram ainda mais seus princípios e valores. O escândalo do mensalão está chegando ao fim sem que o presidente Lula tenha dado o menor sinal de que notou a gravidade dos fatos. O Congresso reage de forma leviana, salvando seus pares e aumentando os salários de seus funcionários. A grotesca dança da deputada Ângela Guadagnin foi apenas a cereja do bolo do despudor; ou o orégano da pizza. O risco fiscal aumentará com a saída do ministro Antonio Palocci. A queda dele passou a constar nos cenários do mercado como um simples ato de troca de nomes.

Hoje ele já não tem mais poder para barrar a pressão dos gastos que se forma sempre contra governos fracos ou em momentos eleitorais. O Orçamento não foi aprovado ainda, mas há um volume impressionante de pressões de gastos embutido nele. Sempre acontece isso e cabe ao ministro da Fazenda aparar os excessos, brecar os lobbies e evitar o pior. Hoje, que força teria Palocci para segurar esses gastos? A deterioração fiscal já ficou visível nos dados de janeiro e fevereiro. A única forma de cumprir a meta fiscal é conter gastos no começo do ano, mas o governo iniciou a gastança logo cedo, com medo de enfrentar barreiras ao gasto no período eleitoral.

Esta semana haverá um teste importante: a MP do Bem agrícola. Será abatimento de imposto e alongamento de dívida. Há setores que vão mal por causa do câmbio; há setores que vão mal por razões objetivas, como o frango; há setores que vão muito bem, obrigado, porque o ganho do aumento dos preços mais do que compensa o câmbio. Mas, quando o governo acena com um pacote agrícola, todos reapresentam seu pedido de dinheiro. O Ministério da Agricultura não gosta de separar o joio do trigo porque sempre foi a voz dos produtores.

No ano passado, os produtores agrícolas fizeram um tratoraço em Brasília. Pediram subsídios e perdão de dívidas. Foi o Ministério da Fazenda que cortou a maior parte da transferência de dinheiro do governo para os proprietários rurais. Recentemente, o setor agrícola do Nordeste pediu perdão para suas dívidas. No bolo, estavam, de novo, os que estão realmente em dificuldade e os que nunca gostaram de pagar suas dívidas. Foi da Fazenda que saiu a ordem para que o perdão da dívida se concentrasse nos setores realmente com problemas. Hoje o ministro Antonio Palocci está enfraquecido e com menos poder de persuadir o presidente da República.

No governo passado, os empreiteiros que realizam obras em outros países pressionaram o governo para que o Tesouro fosse o avalista das suas operações em países de risco e para que o Banco Central garantisse o risco cambial. Na época, muita gente dentro do governo defendia esses instrumentos como indutores do desenvolvimento. O Tesouro se negou a fazer isso e o Banco Central lutou uma guerra interna para revogar o chamado CCR, mecanismo através do qual o BC daria aval cambial a exportadores de serviço.

O governo Lula criou o Fundo Garantidor de Exportações e reativou o CCR. Na Fazenda, garante-se que os instrumentos foram cercados de todas as garantias para que não se repita o que já houve no passado, quando os prejuízos eram sempre pagos pelo Tesouro. Para evitar isso, o Tesouro fez várias exigências, entre elas, a garantia de outras instituições de crédito, como a Companhia Andina de Fomento e o BID. A pressão dentro do governo é para que o Tesouro dê aval a toda grande empresa e empreiteira. O Ministério das Relações Exteriores acha que isso é para garantir a presença do Brasil em países estratégicos.

Estrada no Peru, hidrelétricas na República Dominicana, metrô em Caracas, exportações da Embraer, tudo é estratégico tanto para o Itamaraty quanto para o Gabinete Civil. No governo passado, a equipe econômica não permitiu que o Tesouro fizesse este tipo de operação; o atual governo decidiu dar aval em alguns casos desde que adotados mecanismos de mitigação do risco. A briga passou a ser na construção de cada operação. O trabalho do ministro Palocci tem sido jogar na retranca no caso a caso. Sem ele lá, a defesa fica aberta e os lobbies vão ganhar de goleada.

O país vive, na área política, o risco de afrouxamento das barreiras institucionais ao mau comportamento dos políticos, com a maioria dos deputados cassáveis sendo absolvida. Na economia, vive o risco de erosão fiscal. O mercado não vê a ameaça porque continua embalado pelo fluxo abundante. Mas a ficha pode cair de repente. Qualquer turbulência de mercado será contornável, pior será lidar com o efeito de um retrocesso fiscal. Mas perigoso mesmo é a erosão avassaladora da confiança do país em seus representantes políticos.


Coluna de Míriam Leitão, deste domingo.



 Escrito por Luiz às 19h22 [] [envie esta mensagem]


23/03/2006

O golpe que deu em merda
(Thanks god, it´s friday)
Somente num dos contos fantásticos de Garcia Marquez se poderia imaginar que uma ex-dançarina dum cabaré do Panamá assumisse a presidência a Argentina - sem preconceito. Mas isso aconteceu. Nessa sexta, 24, faz 30 anos que María Estela Martínez de Perón, Isabelita Perón, foi apeada do poder pelos militares. A data define também o início do fim de uma era ruim para a América Latina, marcada pelo terror do poder militar contra populações civis, em ditaduras que já haviam se consumado anos antes,  no Brasil e na Bolívia em 1964, passando pelos realizados no Chile e no Uruguai em 1973.

Isabelita, para quem não sabe, foi a mulher de Juan Domingo Perón. E a sociedade argentina, para quem não se surpreende, celebrou com entusiasmo a chegada dos militares ao poder.

xxxxxxxxxx
Esse entusiamo não durou muito. Cerca de 30 mil pessoas foram mortas pelo regime. Entre essas pessoas, Tenorinho, o barbudo pianista de Vinícius de Moraes, que em excursão por Buenos Aires, na época, foi confundido com um líder motonero. E fuzilado, para não delatar os assassinos.

É que o regime argentino já havia aprendido a lição deixada por Pinocchet: não fazer prisioneiros, pois a sua existência suscitava (como suscitou) a formação de campanhas pela libertação dos presos, o que desgastava o regime. Por isso, os presos não tinham suas cabeças cobertas durante os interrogatórios e sessões de tortura, pois seriam mortos mesmo...

Por isso tantas madres na Praça de Mayo.

Por isso, cerca de 500 crianças órfãs - filhos de militantes e pessoas sem nenhuma militância, confundidos com as pessoas erradas na hora errada - foram adotadas por famílias de militares e burocratas do regime, o que criou, para uma geração inteira, uma situação a qual é difícil de se classificar.

xxxxxxxxxx
A insatisfação popular tinha outra razão. Depois de sete anos, a dívida externa argentina pulou de US$ 8 bilhões para US$ 45 bilhões. A inflação cheogu a 343%. 28% da população desceu a linha de pobreza.

xxxxxxxxxx
Como insatisfação pouca é blogagem, e não havia blogs na época, o governo militar tratou de dizimar as ferramentas de democracia social e política representados por sindicatos, partidos políticos, movimento estudantil, camponês e operário.

xxxxxxxxxx
A história da América Latina é marcada pelo antes e depois da passagem de tantas ditaduras pela região. Não é apenas uma questão de apontar os culpados - eles precisam ser apontados, sim, e punidos pelos crimes cometidos -, é uma questão também de lembrarmos de uma página que não pode ser repetida, nem como farsa, nem como drama.

xxxxxxxxxx
Há quem diga que as ditaduras do Chile e do Brasil, dentro de seus respectivos objetivos, foram bem sucedidas. E que a Argentina foi um fracasso total, inclusive do ponto de vista militar.

Não sei, sei dos que perderam com esse círculo de terror.


Para se informar melhor:
Artigos na Nueva Mayoria de Rosendo Fraga e Hugo Martini. Na Alainet, Emir Sader também escreve, além de Daniel Campione.

ATUALIZAÇÃO: Hoje, 24 de março, os jornais argentinos publicam especiais sobre o assunto. O do Lanacion pode ser lido aqui. O do Clarin, aqui.


 Escrito por Luiz às 21h34 [] [envie esta mensagem]


19/03/2006

A Venezuela, nua e crua

Mais detalhes do que aconteceu na Avenida Bolívar, em Caracas, neste fim de semana, aqui. O Brasil também terá sua vez.
PS.: Ganha um doce quem identificar Hugo Chávez na foto.

 Escrito por Luiz às 18h57 [] [envie esta mensagem]


17/03/2006

Esse pessoal parece que bebe
(pausa na luta amada porque hoje é sexta)

Ai que saudade dos velhos carnavais. Instantâneo tirado em pleno Galo da Madrugada - que a televisão insiste em fazer crer que é algo impossível de ir, brincar, se divertir. Da esquerda para a direita, Bosco (el bodegon), Patricia (Mulher maravilha high style), Lula Pinto (de eleitor brasileiro), Alci (bailarina dourada), Fabiana Fabulous Morales (de rainha de sabá), mamá (marciano), Renata Beltrão (colombina), Flavão (de delegado da polícia civil).

Assim é.



 Escrito por Luiz às 10h50 [] [envie esta mensagem]



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