SOY LOCO POR TI
Política, Mídias, Economia, Arte, Futebol e Humor na América Latina

15/05/2006

Verde ardósia
Entrevista dele, aqui e ali, pinçados no Alainet.org
Sobre a crise política:
É claro que esse escândalo abalou o governo, abalou quem votou no Lula, abalou sobretudo o PT. Para o partido, esse escândalo é desastroso. O outro lado da moeda é que disso tudo pode surgir um partido mais correto, menos arrogante. No fundo, sempre existiu no PT a idéia de que você ou é petista ou é um calhorda. Um pouco como o PSDB acha que você ou é tucano ou é burro (risos).

Agora, a crítica que se faz ao PT erra a mão. Não só ao PT, mas principalmente ao Lula. Quando a oposição vem dizer que se trata do governo mais corrupto da história do Brasil é preciso dizer ‘espera aí’. Quando aquele senador tucano canastrão diz que vai bater no Lula, dar porrada, quando chamam o Lula de vagabundo, de ignorante – aí estão errando muito a mão. Governo mais corrupto da história? Onde está o corruptômetro? É preciso investigar as coisas, sim. Tem que punir, sim. Mas vamos entender melhor as coisas. A gente sabe que a corrupção no Brasil está em toda parte. E vem agora esse pessoal do PFL, justamente ele, fazer cara de ofendido, de indignado. Não vão me comover...

Preconceito de classe.
O preconceito de classe contra o Lula continua existindo – e em graus até mais elevados. A maneira como ele é insultado eu nunca vi igual. Acaba inclusive sendo contraproducente para quem agride, porque o sujeito mais humilde ouve e pensa: ‘Que história é essa de burro!? De ignorante!? De imbecil!?’. Não me lembro de ninguém falar coisas assim antes, nem com o Collor. Vagabundo! Ladrão! Assassino! – até assassino eu já ouvi. Fizeram o diabo para impedir que o Lula fosse presidente. Inventaram plebiscito, mudaram a duração do mandato, criaram a reeleição. Finalmente, como se fosse uma concessão, deixaram Lula assumir. ‘Agora sai já daí, vagabundo!’. É como se estivessem despachando um empregado a quem se permitiu o luxo de ocupar a Casa Grande. ‘Agora volta pra senzala!’. Eu não gostaria que fosse assim.

Eu voto no Lula!
A economia não vai mudar se o presidente for um tucano. A coisa está tão atada que honestamente não vejo muita diferença entre um próximo governo Lula e um governo da oposição. Mas o país deu um passo importante elegendo Lula. Considero deseducativo o discurso em voga: ‘Tão cedo esses caras não voltam, eles não sabem fazer, não são preparados, não são poliglotas’. Acho tudo isso muito grave.

Hoje eu voto no Lula. Vou votar no Alckmin? Não vou. Acredito que, apesar de a economia estar atada como está, ainda há uma margem para investir no social que o Lula tem mais condições de atender. Vai ficar devendo, claro. Já está devendo. Precisa ser cobrado. Ele dizia isso: ‘Quero ser cobrado, vocês precisam me cobrar, não quero ficar lá cercado de puxa-sacos’. Ouvi isso dele na última vez que o vi, antes dele tomar posse, num encontro aqui no Rio.

Sobre o PSOL.
Percebo nesses grupos um rancor que é próprio dos ex: ex-petista, ex-comunista, ex-tudo. Não gosto disso, dessa gente que está muito próxima do fanatismo, que parece pertencer a uma tribo e que quando rompe sai cuspindo fogo. Eleitoralmente, se eles crescerem, vão crescer para cima do PT e eventualmente ajudar o adversário do Lula.

Papel da mídia.
Não acho que a mídia tenha inventado a crise. Mas a mídia ecoa muito mais o mensalão do que fazia com aquelas histórias do Fernando Henrique, a compra de votos, as privatizações. O Fernando Henrique sempre teve uma defesa sólida na mídia, colunistas chapa-branca dispostos a defendê-lo a todo custo. O Lula não tem. Pelo contrário, é concurso de porrada para ver quem bate mais.


 Escrito por Luiz às 11h23 [] [envie esta mensagem]


12/05/2006

Uma pausa na pausa
(porque não dá pra fazer de conta que ñão está acontecendo nada)

Acho que no dinal da década de 1970, início da década de 1980, havia uma música muito em voga aqui no Nordeste. O refrão dizia "imagine o Brasil ser dividido e o Nordeste ficar independente". Elba Ramalho cantava e alegorzijava a cabeça de muita gente. Imagine hoje a América do Sul mais dividida que nunca e a Bolívia independente. Da mesma forma a idéia parece uma alegoria que só se vê as cores se você for bolivariano. Sejamos, por um minutinho bolivarianos pois.

Ser bolivariano implica em ver a história de um jeito muito particular, e de uma forma mais particular ainda a relação dessa terra com outras terras e outras gentes. Primeiro, que estamos de veias abertas o tempo todos e isso não é só uma metáfora. Segundo, o bolivariano vê a história como uma sucessão linear de fatos com um certo arremate final previsto: a unificação política e cultural da América Latina - mais ou menos como certa linha de marxistas que leram Marx de forma pequeno-burguesa e esperavam lá no final da história a certa ruina do capitalismo. Terceiro, ser bolivariano implica em guardar mágoas e exorcizá-las assim que possível.

Por outro lado, há um certo comodismo em condenar essa forma de politica. É cômodo e fácil dizer que a diplomacia deve substituir o exercício da mágoa histórica e da memória da exploração; é fácil e cômodo afirmar que o mundo é mais complicado que a lógica bolivariana faz supor e é muito adequado dizer que não há mais sangue derramado sobre o chão da América Latina.

Esse longo nariz é pouco pra dizer o que tô pensado sobre os últimos acontecimentos na Bolívia. Até agora o incidente diplomático mais sério dos últimos 20 anos no continente. Há antecendentes históricos para as ações de Evo Morales. Elas estão eivadas de mágoa histórica, e da mesma forma, parte das declarações e das ações do governo boliviano são guiadas pela necesidade de se colocar os pontos nos is, de acertar as contas com um passado não de todo exorcizado.

Mais ou menos como Israel faz todos os dias; ou como Rússsia fez nos bálticos; ou como a França se comportou em relação à terra dos pais de Camus, a Argélia; ou como o Brasil se comportou na guerra do Paraguai. Segue a mesma lógica da revanche, de acerto de contas. A diferença é que a Bolívia tem um argumento - contestável, como todo argumento - baseado numa articulação lógica legal.

Mais: essa busca por uma certo de contas guarda em si um sentido de justiça social, de igualdade social. Não é uma defesa das ações na Bolívia. É uma defesa da coerência, não dos métodos usados elo governo de Evo Morales.

Os últimos acontecimentos são sérios demais e infelizmente eu votei num governo que não está a altura dele. Simples assim. O problema maior nessa crise - por mais que o Planalto diz que não é uma crise, é uma crise - não é a perda iminente dos investimentos da Petrobras, não é a insegurança intitucional, não é a falta de confiança na Bolívia e na AL (os investidores que se caguem).

O problema maior é não termos, nós brasileiros, em mais de 20 anos de regime democrático, sido capazes de gerar um governo à altura dos últimos acontecimentos.



Não sei se isso é avolta do Soy Loco por Ti. Tá mais pra um desabafo. Vamos ver como fica...



 Escrito por Luiz às 14h38 [] [envie esta mensagem]



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